Império da Casqueira


O amor é lindo

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 06h39
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Caicó

(purgatório)

 

O meloso lirismo germina

no continente da covardia e da impotência...

e esgota-se no vaso

sanitário

...

 

A noite insone,

o álcool da véspera,

a mente a se queimar morosa

qual cigarro esquecido no cinzeiro

no silêncio sem fim da madrugada,

bastam-me.

E, se algo me faltasse,

guardo a certeza

da  tenuidade da fronteira

(em que nos topamos)

entre o paraíso e o inferno.



Escrito por Benito Barros às 06h37
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Arte para o povo

George Quaintance

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 06h32
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FALTA DE ESPAÇO


Ao olhar no espelho
finalmente vi-me o que sou:
  feio (e chato?)
Então resolvi mudar.
  ...mas prá onde?

 

J. Cabral



Escrito por Benito Barros às 07h48
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Texto enviado por  Cabral

 

DOS TEMPOS

Estavam reunidos, em assembléia, os mercadores, artesãos e bufões da Ilha. Tentavam resolver um pequeno problema: receber do Burgomestre (que não dava a mínima) o que lhes era devido pelos serviços prestados, pelos fornecimentos  e (principalmente) pelos sacos puxados, havendo vários meses.
Não recebiam do Tal sequer uma promessa, com a qual pudessem negociar uma outra com seus credores.
Depois de muito confabularem (!) chegaram a seguinte conclusão:
"MALOS SON LOS TIEMPOS"

Há,há,há,há...ops!? (Pô, rir, não. Rir é maldade).



Escrito por Benito Barros às 07h56
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Um divã, urgente!

 

Estive, nestes dias em que a preguiça colocou-me no colo do desânimo, do desalento, fazendo umas contas estapafúrdias: seria o problema da ilha uma questão meramente política? Caberia nos limites insalubres do código eleitoral ou penal? Seríamos presas unicamente do atávico pendor para a corrupção e à subserviência aos poderosos do dia? Cada elemento, cada pessoa, teria previamente estabelecido seu preço sem direito a troco? Será verdade que não há possibilidades dos que se venderam, dos que se iludiram,  de, num lampejo de hombridade, se revoltarem contra a humilhação que se lhes impõem?

Matutei muito. Percorri os estrambóticos caminhos que o vinho – o maldito álcool – oferecia à imaginação. Confesso: não alcancei  porto seguro. Mas não foi uma caminhada infrutífera. Nos passos miúdos das informações esparsas que ia colhendo, uma insensatez ganhou sustança. Uma idéia maluca, sem nenhuma consistência de racionalidade, aboletou-se em mim.

E ela pretende atingir em cheio a raiz do problema fundamental: por que estão humilhando tanto o povo da ilha.

A resposta é simples: a psicanálise seria demais suficiente para explicar as desditas insulares.

Eis, pois, o remédio para o problema principal: Freud, Freud, Freud.

Sinceramente - eu disse sinceramente! – alguém seria capaz de humilhar tantas pessoas sem que tivesse sido cruelmente humilhado em tempos remotos?

Há, no entanto, uma miraculosa saída: um divã.

 

xxx

 

Um fiel súdito enviou um complemento (alentador) ao texto em que Aldo de Chico Seixas me define como a nova versão de Chico dos Esprito.

O Pai de Santo cantava o “ponto”: “Eu vou virar bicho do mato pra comer vocês. tudim”.

Os fiéis respondiam: “coma eu, paim; coma eu, paim”

Eu tenho a vaga impressão que esse refrão tem a ver com um senador das terras sulistas - refúgio seguro do companheiro Toinho.

Mas, como estamos no norte.... assumo a responsabilidade!

 

xxxx

 

E assim caminha a humanidade...



Escrito por Benito Barros às 07h55
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Do Bar de Mundão e da esquina Valdetário Carneiro

 

Eu conheci uma menina que se chamava Juliana... Ela chamava banana de nanana...

Ô, muié da cara feia! ô, muié da cara feia...

Ela é muito pidona, ela é muito sabidona...

Quantos são? São seis! Cavaleiros da tábua redonda...

O carnaval deste ano já tem um nome: BABAU DO PANDEIRO . VIVA BABAU!

 

xxx

 

Um companheiro do Porto da Pescaria contou-me o caso que tivera com uma ninfomaníaca masoquista.  Dada a insaciabilidade da dita, era necessário – de vez em quando - aplicar-lhe um corretivo sossegador. Depois de vários bofetes, entre choros e gozos, ela revelava reclamante a prodigiosa lista de ex:

- Nenhum dos meus outros machos nunca me fizeram isso. Nem Macaxeira, nem Búzio Oco, nem  Lobisomem.

- Então eu sou o Vampiro – justificava o cruel companheiro.

 

xxx

 

Outros apelidos da gente do Porto: Sarapica, Saco de Feitiço, Seu Rola.

 

xxx

 

Outro companheiro, no afã de conseguir uns trocados, decidiu fornecer o dito cujo. Quando a coisa engrossou e ele só avistava estrelas em plena luz do dia, gritou aperreado:

- Tira! Tira! Que bateu no osso!

Essa frase desesperada (bateu no osso!) tem sido amiúde utilizada para as situações mais diversas, significando que a coisa não está boa. Um belo achado lingüístico.

 

xxx



Escrito por Benito Barros às 06h25
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Palavras e expressões recém-ouvidas.

- Bexiga taboca

- Sei me bulir (dou meu jeito)

- Despimbado (triste)

 

Seu Chiquinho dos Posseiros, referindo-se a um otário que quer ser o cancão de fogo, usou uma palavra que há muito não escutava:

- Precipitante (temerário)

 

xxx

 

Aldo de Chico Seixas me encontra, no Bar Império da Casqueira, algaraviando na alva página do bloco de rascunhos, e comenta:

- Chico dos Espíritos (Esprito) só escrevia (psicografava) bêbado. Depois tinha que tomar outro porre para conseguir ler o que tinha escrito.

Para  concluir ferino:

- Você é a nova versão de Chico dos Esprito.

 

xxx

Domingo

 

Camapum, ontem. Bar de Raimundo. Presenças: Zé Augusto e Vanete (Há quanto tempo! Quantas saudades!) Pádua e Ana Luíza , Haroldo, o Pessoal do Clickteen e Maxwel  (http://maxwelalmeida.zip.net/)

Alguém comentou:

- Esta semana amanheceu com cara de fim de mês, de fim de feira, de fim de era...



Escrito por Benito Barros às 06h24
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Então, se é fim de era, olhemos para frente, para o generoso (que seja!) e infinito horizonte...



Escrito por Benito Barros às 06h23
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O texto a seguir nos foi enviado por um operário macauense.



Escrito por Benito Barros às 08h23
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Minha terra calma e boa trago-a

Nas cismas da  saudade em que ando atento

Contemplando-a com os olhos rasos d´água

Nos grandes vôos do meu pensamento.

Edinor Avelino

 

Hoje cedo, quando acordei, ganhei as ruas de minha cidade – o povo ainda, vagarosamente, tomava também as ruas. Parei em certo ponto a observar  a face dos que passavam: homens, mulheres, adultos, idosos, todos desesperançados. Deixou-me prenhe de tristeza.

Mas de quem será a culpa de tamanho desânimo?

Do povo que, às vezes, de forma inconsciente, elege e põe no poder pessoas sem virtude alguma? Ou será minha, que, como bisbilhoteiro, tenta invadir as mentes sobrecarregadas dos inocentes? Ou será de um certo vampiro forasteiro que sem nenhum pudor preconiza aos bons ouvidos: “o choro do povo não fará com que minha sensibilidade seja atingida”?

Creio que culpa alguma o povo tem, pois em tempo de eleição somos de forma agressiva e desrespeitosa bombardeados por falsas promessas. E o pior: tentam nos comprar como mercadorias baratas e sem direito a devolução.

Minha também não é, pois se observo a tristeza do povo é porque ainda a enxergo – coisa que vários outros também conseguem fazê-lo. Alguns, por lealdade, enxergam o lado bom que não existe. Outros, por amor à terra, enxergam decadência, e tentam mostrar aos que não vêem.

Só nos resta culpar o inocente vampiro. O que nada vê, o que nada sabe, o que sorrir perante o povo humilde ao ser questionado sobre uma simples promessa de governo, e têm o despautério de chamar um pobre homem de mentiroso.- quando todos sabem que a promessa foi feita, só não foi cumprida!

Paciência, pois o vampiro tem o poder de afastar e atrair seus fiéis seguidores  quando necessário. O que irá temer?

O que fazer? Abraçar os corações dos que, com boa intenção, tentam ajudar de alguma forma o povo sofrido desta cidade que dorme há mais de um século.

Tentar abrir os olhos cansados do povo inocente que são impiedosamente tragados pelo capitalismo ilícito.

Calar as bocas mentirosas que agridem os ouvidos daqueles que ainda escutam e que enchem de falsas esperança a humanidade pura.

Se mesmo assim, nada adiantar, resta-nos voltar a ser criança e sorrir como se nada estivesse acontecendo – como as crianças que daqui enxergo andando de bicicleta em meio a dezenas de lixeiras coloridas.

Ivanildo Sena - 25/01/07



Escrito por Benito Barros às 08h22
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