Império da Casqueira


Pela enésima vez, recomeço a escrever este negócio. Não tenho a menor idéia de como começar a escrever . Como diabos eu devo iniciar?  Comemorando o aniversário de um ano do blog? Comentando os acontecidos nas cercanias do Império durante o ano de 2006? Divulgando as previsões das pitonisas imperiais para o ano santo de 2007? Ou, expressando minha profunda ojeriza a essas datas – natal, ano-novo - que a gente costuma comemorar com efusivas manifestações de hipocrisia? Sim, minha aversão vai além daquelas manifestações e se dirige, de forma pueril, às datas. Não vejo o menor sentido em se estabelecer dias específicos para obrar coletivamente o que negamos todos os dias.

Os bons sentimentos emersos e  as boas ações agora executadas, ou, até mesmo, o costumeiro balanço do ano findo, tudo isso, sinceramente, não faz o menor sentido para mim. São, por momentâneas, frivolidades. Se não somos todos os dias o que aparentamos hoje, então...  Se, a cada dia e a todo instante, não lamentamos a constância de nossa impotência, então...

Mas, ainda não sei como começar a escrever esse troço.

Se analiso o primeiro ano do blog, estarei entrando em contradição com o que disse anteriormente. Além disso, já faço essa análise cotidianamente e, se continuo a postar é por absoluta falta do que fazer nas madrugadas. Sendo mais explícito: por pura preguiça e incompetência de procurar fazer algo mais proveitoso.

A cada dia, desde o início, sinto que a coisa poderia ser melhor. Faltam-me, no entanto, o necessário esforço e a devida capacidade.

Um exemplo. Na medida do possível, tenho tentado me escusar de escrever sobre os azares de nossa pobre ilha, como amiúde costumava fazer, seja pelo mal-estar  que me provocam  uma vez que salientam aquela velha e imorredoura impotência de que falei, seja por considerar meus comentários aquém do desejável, seja  pelo surgimento de outros blogs  que  o fazem com mais vivacidade e zelo. E, ademais, os infortúnios são tantos e acontecem com freqüência tal, que vão a se tornar enfadonhos como  as seqüências de bundas de belos rapazes aqui expostas. Será?

Continuo, pois, sem idéia de como começar a escrever.

Eu dizia da má sorte de nossa pobre ilha. Ora! um balanço, superficial ou detalhado, do ano político-administrativo que se esvai nos braços do desamor pela nossa cidade e seu povo, além de ser contraditório também só me reacenderia o mal-estar mencionado, tal a lembrança da incúria, dolosa ou não, dos poderes e instituições que deveriam guardar a boa administração da coisa pública (res publica).



Escrito por Benito Barros às 06h56
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É certo que dói sabermo-nos uma cidade tão rica e ter conhecimento do tão pobre proveito dessa riqueza, mas, dói mais ainda, dilacera mais o peito dos que amam essa cidade, saber que foi o povo que assim quis, ou, levaram-no, por meios escusos, a querer.

Chegam-me à lembrança dois fatos a elevarem nossa cidade à condição de Império... do absurdo. Dois singelos acontecimentos interligados pela raiz putrefaciente da ilicitude e  pela mesma inação dos que deveriam dar-lhes combate. Duas farsas, dois engodos perpetrados com o beneplácito dos tantos indiferentes à sorte de nossa ilha. São eles: as festanças por ocasião de inaugurações e outras papagaiadas, e, a farta distribuição de cestas básicas exclusivamente às vésperas das eleições. Passado o período eleitoral, onde aquelas festanças inauguratórias e o bárbaro desfilar das gentes de sacolas aos ombros?

Escrever sobre isso e demais absurdos, na forma de avaliação de término de ano, é, mais uma vez, percorrer a estrada da contradição.

Então, como começar a escrever essa coisa?

Continuo na mesma - não sei por onde começar.

E, pior, não saberia como terminar o texto.

Uma das possibilidades de fecho seria reafirmar o convencionalismo insosso dessas datas e a carga de falsidade intrínseca a elas.

Há, ainda bem! outra possibilidade talvez mais interessante – não começar, esquecer tudo e tomar mais uma, que ninguém é de ferro.

Ah! ia esquecendo. Poderia também começar e terminar enfileirando os bons e maus augúrios para o ano vindouro... mas aí é outra história!



Escrito por Benito Barros às 06h56
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A falta de um único aceno, talvez,

um único aceno

que a covardia impediu.

O temor da perpétua chaga,

do indelével estigma

de amante impuro,

fá-lo um desesperado do passado.

 

Sem, por poucas que sejam,

precauções

mergulha no mundo

outrora e agora hostil sem o medo

e a prudência de ontem.

Suas investidas sem subterfúgios,

no entanto,

limitam-se às páginas

imaculadas

de um diário que deseja secreto:

“Onda, cuida bem do meu menino,

e, em deus transformado,

como quem não quer nada,

deposita-o em meu colo.

Onda, cuida bem do meu menino

Um dia, ele não será

mais parte de você.

Cuida bem dele.”



Escrito por Benito Barros às 06h55
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Os que não vivem

 

 

Ainda há os que se escandalizam com a paixão.

Quem se amedronte frente ao desejo.

Quem se negue a seguir o guia cego da insegura felicidade.

Estes não vivem.

 

São os que não têm vocação para o suicídio.



Escrito por Benito Barros às 07h34
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De passagem pelo Departamento de Imprensa do Império, Bena I, o Mais Generoso dos Monarcas, fez votos de bons anos a todos que assim os desejarem.



Escrito por Benito Barros às 07h34
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Escrito por Benito Barros às 07h25
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