Império da Casqueira


O azul dos olhos de Ana Clara

 

Que olhos azuis são os teus, Ana Clara?

Feriram-me, incendiaram-me

os olhos azuis de Ana Clara.

 

Ana Clara, claro sítio de o amor viver,

que ardis dos olhos teus o azul há de ter?!

Um azul tão azul que de não-azul zomba de ser.

 

É um azul azul de machucar muita gente.

O fogo desse azul, coitado de quem o tente.

 

Ana Clara, o azul dos teus olhos,

agasalho de amantes desesperados.

Fugidio e incerto, o porto

dos desejos nesse azul desgarrados.

 

Quantas sereias no azul dos teus olhos encantadas?

Quando a velhice chegar, Ana Clara,

teus olhos suportarão

as tantas ruínas de amor naufragadas?

 

Ana Clara, a de dois meses de idade,

a de olhos de azul abismo de insanidade.

 

Ana Clara, bem clarinha,

de olhos azuis azuis, bem azuis,

como se de um azul bem azulado

- violácea claridade.



Escrito por Benito Barros às 10h44
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Dos sinais



Invocam-me as vírgulas


- minúsculos tamboretes em que se senta a língua cansada.


Aspas decaídas, espermatozóides gorados


a produzirem tão-só aborrecimentos.


As aspas, sim, sobranceiras e pródigas,


estão sempre a nos eximir da responsabilidade


por alguma idéia indigesta.


Também, perversas e aleivosas,


denunciam nossa ignorância


com a autoridade que lhe empresta seu feitio de dragonas


nos ombros dos pensamentos alheios,


e seu vigor honestizante.



Escrito por Benito Barros às 06h12
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de nada

a nada edifico-me

 

de infinito

a infinitos esparramo-me

 

seres de sem-início e não-fins

qual rastro de enigma insolúvel

somos a impraticabilidade dos parêntesis

 (Dos sinais - II)



Escrito por Benito Barros às 07h38
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Nas asas da imaginação

Michelângelo

 

Regnault

 

Matthew Strandling

 

Louis M

 

Lord Frederick Leighton



Escrito por Benito Barros às 07h36
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Dantes, foi o sorriso descortinando

a formidável graça de menino

- estrela de marear.

 

Não percebeu a que abismos o conduzia.

 

E, se de angústia,

quebranto e quejandos

queixa-se, teima

no entre-aspas

daquele sorriso hospedar-se.

 

Até outro infeliz,

armado da cumplicidade infantil,

desalojá-lo.

 

                                                                       (Dos sinais - III)



Escrito por Benito Barros às 10h25
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Proclamada a República,



Escrito por Benito Barros às 10h19
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é hora de relaxar

 

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 10h17
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...e de diversão saudável

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 10h11
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Enquanto isso, o Imperador da Casqueira, o Lascivo, temporariamente afastado, goza os prazeres de faustoso exílio.

 

 



Escrito por Benito Barros às 09h58
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O meu poeta enviou o seguinte texto

 

VOTO ABERTO E DEMOCRACIA

 

                                                                                   Horácio Paiva

                                              

                                   Conta-se que o célebre monge RIOKAN (1757-1831), expoente do zen-budismo japonês, e protagonista de inúmeras histórias exemplares, surpreendera, certa noite, um ladrão em sua cabana. Apropriara-se este de alguns pertences pessoais dele  -  já que na casa, simples, quase nada havia a roubar  -  e se preparava para sair. Riokan, possuído de compaixão, e estando a noite muito fria, oferece-lhe a sua capa. E enquanto o ladrão se afasta, vai até a janela e vê-se diante de um luar belíssimo. Perturba-se, porém, o seu espírito, por não poder oferecer, também, ao ladrão, aquele momento de rara beleza, restrito à sua consciência e sensibilidade.

                                   Há, com efeito, atos que encerram respostas singulares e cuja satisfação é dirigida à consciência pessoal.

                                   Outros não, por não dizerem respeito apenas ao seu agente, compreendem satisfação coletiva, grupal. São os atos, por exemplo, do mandatário, do representante popular.

                                   Sem dúvidas, pode-se dizer que o voto secreto (Constituição Federal, art. 14) é uma conquista da democracia. Mas isto quanto ao voto singular, aquele que, por não traduzir uma representação coletiva, justifica-se, exclusivamente, na vontade e no interesse do votante. A responsabilidade do eleitor singular exaure-se nele mesmo, no âmbito de suas próprias idéias e opções. Enfim, ele vota por ele.



Escrito por Benito Barros às 07h00
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                                   Pede, entretanto, o aperfeiçoamento da democracia,  que o voto de representação  -  exercido nos mais diversos fóruns, no Senado, na Câmara, nas Assembléias, ou mesmo num Conselho, como o de nossa OAB  -  seja aberto, e não secreto, transparente, pois, à fiscalização dos representados, que poderão, conhecendo-o, aferir o seu conteúdo de legitimidade, e  se o seu mandatário está correspondendo à confiança que nele depositaram, votando conforme a sua vontade. Afinal, ele não é o dono do cargo (como dizia certo personagem de nossa história política: “não sou ministro; estou ministro”). Este pertence àquele que o elegeu para representá-lo: o povo. Além disso, com a mudança proposta, ganha a moralidade, já que é inegável, também, o conteúdo moralizador da instituição do voto aberto nas casas de representação popular.

                                   Felizmente, essa revisão já se processa no Congresso Nacional, havendo sido recentemente aprovada (5.9.2006), em primeiro turno, e quase por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição – PEC, de n. 349/2001.

                                   E quanto a nós, advogados, cabe-nos a importante tarefa da promoção desse aperfeiçoamento democrático no âmbito de nossa Ordem.

                                   Convidado a participar da chapa “União Democrática” (Chapa 2), liderada pelo estimado colega Erick Pereira, às eleições de nossa OAB, para integrar o seu Conselho Estadual, aceitei, mediante a adoção de princípios que viessem a fortalecer propósitos não apenas nitidamente profissionais, mas, também, a afirmar a democracia, tanto no âmbito interno da entidade como em suas dimensões externas, no aperfeiçoamento, pois, da sociedade brasileira.



Escrito por Benito Barros às 06h59
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                                   Sim, porque a tradição de nossa Ordem, além de conduzir o seu sentido corporativo, está, como se sabe, intrínseca e politicamente vinculada à história da civilização brasileira.

                                   Vejo que nessa chapa, e nos princípios que proclama, há um forte impulso de defesa profissional, de fortalecimento da ação do advogado, sem esquecer, contudo, as aspirações gerais da sociedade, a defesa do estado de direito, da ética, da participação popular e do aperfeiçoamento democrático.

                                   E nesta contribuição ao humanismo e à evolução política, não podemos ver adversários entre aqueles que abraçam tais aspirações.

                                   Na luta de idéias, quer-se a união em torno do crescimento ético e profissional, e não o confronto pessoal.

                                   Enfim, também aqui afloram os inesquecíveis versos do grande poeta JOSÉ MARTÍ (1853-1895), político e revolucionário cubano  -  mais que simplesmente cubano, poeta-cidadão do mundo:

 

                                   “Cultivo uma rosa branca,

                                   em julho como em janeiro,

                                   para o amigo verdadeiro

                                   que me estende sua mão franca.

 

                                   E para o mau que me arranca

                                   o coração com que vivo,

                                   cardo ou urtiga não cultivo:

                                   cultivo uma rosa branca.”



Escrito por Benito Barros às 06h58
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antes de proclamar a República...



Escrito por Benito Barros às 06h57
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A semana foi um tanto carregada: colação de grau, eleição para Reitor, discussão sobre plano diretor. Não deu nem pra tomar uma e acordar a tempo de postar.

Por aqui, tudo na mesma. Nada de sobressaltos. A mesmice em desfile: a repercussão da lista de contratados e aluguéis, ônibus escolar parado, e... a queda do telhado do Hianto.

Cobraram-me comentários acerca da lista. Ora, essa lista representa tão-só  a repetição da prática já aqui denunciada quando da eleição do atual prefeito - aluguel de almas pago com o dinheiro público. Almas de preços variados. Alguns preços são adequados, outros, exagerados. Aliás, na verdade, todos são exagerados. Alma que se deixa comprar sempre recebe mais do que merece.

Recebi um comentário raivoso de um ser vil a soldo dos poderosos, dizendo que eu mentira quando denunciei a situação irregular do transporte escolar que deixava de funcionar enquanto a Polícia Rodoviária Federal estivesse por perto. A situação absurda, constrangedora, repetiu-se e foi denunciada por um professor durante a audiência pública em que se discutia a educação e o Plano Diretor. Estavam presentes vários representantes da administração municipal (o prefeito discursou e caiu fora). O silêncio foi a resposta.

Quanto ao Teatro... sinceramente, eu não sei o que dizer. Há vários meses que se anunciava a queda do teto.  Não retiraram sequer as cadeiras e os aparelhos de ar-condicionado.

Quando eu denunciava o descaso, uma pessoa indagou: “para quê teatro, se os artistas estão por aí, em todos os cantos da cidade, representando a tragicomédia em que se transformou a administração municipal?”



Escrito por Benito Barros às 07h16
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Um momento para relaxar...

 

 

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 07h15
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