Império da Casqueira


Infância

         a Tarcísio Gurgel

 

De sal,

com as espumas se coisa cada uma...

 

Se coisa marés,

castelos e assombros.

Pássaros, estradas, estrelas,

pedras, espadas e espantos.

 

Porém, o que se coisa de melhor

é o desvencilhar o ontem e o amanhã

da contingência,

do acaso chofer.



Escrito por Benito Barros às 08h11
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Amanhã é dia de eleições gerais no Império.



Escrito por Benito Barros às 08h10
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Convenções partidárias...

 



Escrito por Benito Barros às 08h07
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Concorrem a uma vaga na Câmara dos (não tão) Comuns...

 

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 08h05
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Candidatos a Assembléias Provinciais.

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 07h57
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A Câmara dos Lordes.

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 07h53
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Governos Provinciais.

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 07h49
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Dois azafamados dias

Nos últimos dois dias, o Imperador esteve deveras ocupado.

Ontem, cumprindo agenda de trabalho, teve que viajar a terras estrangeiras.

Dia 27, nas cercanias do Império, Bena I participou das festividades relativas à inaudita efeméride. Tratava-se de comemoração pelo transcurso do 41º aniversário da Perda de Cabaço de afamada cortesã do Império da Casqueira. Foi uma festa esplendorosa.

O Imperador Bena I, o Inocente Nestes Casos, tomou conhecimento da importante data por meio dos anúncios universalmente espargidos  por um dos mais respeitados arautos do Império, Manuael Maurício.

Segundo outro afamado pregoeiro,  Fernando de Zé Lopes, a folgazã Dama da Corte em questão, D. Chica e Relly - outrora uma denodada e furibunda defensora da moralidade no trato do dinheiro público -  encontrava-se, a jovial Diva, em constrangedor silêncio, dada a avassaladora quantidade de bubus que se lhe arremessaram à esplêndida boca.

O Imperador, em Nota Oficial de Congratulações, fez saber a todos quantos demonstrem interesse por tão delicada matéria, que não é do seu conhecimento os motivos que fazem calada a, ontem, ruidosa Dama. Desconfia, ainda, o Precavido Imperador, que a interpretação oferecida pelo pregoeiro Fernando esteja alicerçada em reprováveis despeitos pelo reconhecido sucesso da Majestosa Dama junto às Cortes recentes.

 

A praça - em idos tempos de paz.



Escrito por Benito Barros às 06h24
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Nova Cruz, X

(exercício de basbaquice)

 

Não, não sou eu o zumbi melancólico

a vagar absorto

nas vísceras da madrugada...

O verme cariado vagamundeando distante do sol

é um mísero sonho desgarrado.

Não, não sou eu a percorrer essas ruas sujas e feias

- a lama acoitando lágrimas e estrelas...

É uma ilusão rebelde, renitente,

imunda como as ruas que ela explora.

Não, não sou eu que chora.

Que monstro lacrimoso é tal

com sua cabeça de leão, 

sua cauda de dragão

ferindo a podridão dos caminhos?

São crianças teimosas esses sonhos,

a fugirem por aí sem ao menos conhecerem

a topografia da cidade.

Eu, sim, conheço bem

a sânie que alimenta

essas artérias emporcalhadas.

Tenho vasta conhecença de cada um

desses paralelepípedos hospedeiros de vermes.



Escrito por Benito Barros às 06h18
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E das ruas,

apenas uma pode despertar interesse,

por conta duma singular, irrelevante, ridícula

tragicomédia.

 

O passante, pois, pela rua Nova Cruz,

em frente ao número X,

por mais piegas,

não derrame uma misérrima lágrima.

Seja do viajante a mais ampla generosidade,

não faça a mais vulgar reverência.

O coração atassalhado,

ali enterrado,

é o meu.

É o coração de um otário.

 

Rua Nova Cruz, X,

sepulcro de um tolo.



Escrito por Benito Barros às 06h18
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Pescaria

 

Desses dias de minguada sorte

lancei a linha n’água, e nada.

 

Em meu espinhel  nenhuma piaba,

quanto mais peixe de primeira...

Pensei fazer mandinga,

vigie só!,

igual crédulo pescador

em tempos de ralo pescar:

três cachimbos-da-praia,

dois rabos de arraia,

a barba de um jundiá.

São Lourenço, meu bom velho, mande dois vinténs

de bons ventos

para meu barco encontrar o rumo seguro

da farta pescaria.”

Em vão.

As iscas acescentes já apodrecem no álcool e

nada de nada.

 

Aguardarei outros carnavais

para, de novo, lançar a linha

nas águas da praça da Conceição

- aquário de raros, belos meninos.



Escrito por Benito Barros às 05h17
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Ah! universo restrito esse...

 

Por desperceber o céu e outras terras,

- entre tantos,  só sei do meu país.

De meu país não distingo outro que não o meu estado.

De meu estado só dou conta de minha cidade.

De minha cidade apenas reconheço minha rua.

De minha rua ignoro as demais casas.

De minha casa somente sei algo de mim.

De mim discirno, dentre tantas, uma única parte.

Qual?

A que morreu ou nunca existiu.

 

Entanto, ou, talvez por amor disso,

sou senhor do mundo.



Escrito por Benito Barros às 05h25
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A-MA

 



Escrito por Benito Barros às 05h25
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                                a Tertu

 

Tendo para o desastroso,

pendo para o malograr-se.

 

Quatro décadas na toca

imaturaram-me

para a benquerença.

Esculpi-me incerto na

parda fria rocha

da indiferença.

 

Aparentado a peba,

abrolhei-me em breu.



Escrito por Benito Barros às 05h12
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Combustível da democracia

Neste final de semana, a farra do combustível foi bacana.  Vários asseclas do Barão foram encarregados de distribuir dinheiro para abastecer motos e carros que se dispusessem a segui-lo em carreata. Dependendo do percurso, as doações para as motos variavam entre R$ 20,0 e R$ 40,00.

Houve o caso de um Fiat vermelho - acostumado a receber do dono minguados R$ 5,00, R$ 6,00 de combustível - que se emocionou com o exagero de R$ 100,00. Resultado: pifou!

 

Singela constatação

- Macau vive dias ruins, mas já estão chegando Dias piores.

 

Faz-me rir. Para não chorar!

- E eu imaginava que a criminosa derrubada de árvores havia sido proibida. Rua Lajes, Frei Miguelinho... Eu, hein!



Escrito por Benito Barros às 05h12
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Um pouco de arte para desanuviar.

Alexander Ivanov

 

Alexandre Georges-Henri Regnault

 

Andrea Mantegna

 

Adriaan Litzroth



Escrito por Benito Barros às 05h10
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