Império da Casqueira


Estivemos, ontem à noite, no RANCHO para o show e lançamento do livro de Cleudo Freire: Papo Jerimum – Dicionário Rimado de Termos Populares. É um livro arretado.

Alguns pedaços:

Tudo que é bom é massa

É arretado, é primêra

Tudo que é ruim é peba

Também pode ser reiêra.

 

Pedaço de pedra é xêxo

Ladrão pequeno é xexêro

O mesquinho é amarrado

Caba safado é fulêro.

 

Muita coisa é ruma

Se tá folgado é folote

Pouca coisa é um tico

Uma turma é mangote

 

Bola de gude é  biloca

Fofoca é fuxico

Estouro é papôco

E cu se chama furico

 

Como vocês podem ver por esses pequenos exemplos, o livro é do carai.

Vale a pena.



Escrito por Benito Barros às 07h58
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J N

Sinal dos tempos! Nada é tão ruim que não possa piorar: virão Dias piores.



Escrito por Benito Barros às 05h31
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Enquanto isso... aproveitemos!

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 05h31
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Puxado à metralha de estrelas

- cisco de fugaz, mínima eternidade -

meu sonhar

reluz

de breu a tocha.

 

Semelhado a escombros de estrelas

- caco de restrita, efêmera eternidade -

meu sonhar

reduz

seixos à rocha.



Escrito por Benito Barros às 05h28
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Escrito por Benito Barros às 06h51
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Ultrapassaremos, hoje,10.000 visitas. O Mais Generoso dos Monarcas agradece a todos.



Escrito por Benito Barros às 06h44
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João. Doridamente João, Doido por sobrenome.

João Doido. Dorido João.

Que sobrenome mais doido este para um

que tem a ciência da fala dos minerais!

Que apelido mais desajuizado para este

enraizado no ar, feito mangue!

João é inventado de maresia.

Belo, suave, efêmero como as espumas de sal

ao vaguear sem sentido no negror do asfalto

deixando rastros do finado afã de ser sal

e da expectativa mineral de ser sonho.

...

Tivera instrução.

“Risível todos os acúmulos, se na quebrada da esquina

damos de cara com o nada em definitivo.”

E quando eu dizia: o que ele ali fazia, então?

“Respeite as caras, que sou a solução:

nada fazer, nada ter, nada ser. Que já passamos

a esquina, e eles nunca saberão...”

E há esta esquina?

“Não, não, não...”



Escrito por Benito Barros às 06h40
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Às vezes é reticente...

mas não tiro a razão dele:

“A vida é simples.

Complicam-na as lentes bifocais da razão...”

 

.......

Revelou-se, melancólico:

“Fiz carrinhos de folha-de-flandres,

espingarda de pinho e elástico.

Pulei fogueira, comi bagana. Cavalguei

talo seco de coqueiro. Calcei

quengas de coco, moldei

bonecos em cera de abelha. Li

muito guri, bati

pelada, cacei rolinha, pesquei

bagre em tina e baiacu não

livrava a cara dum anzol meu.

Construi castelos em tamarineira, briguei

briga de rua, um amor sem futuro



Escrito por Benito Barros às 06h40
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amei.

Fiz versos lacrimosos no primário.

Faço-os.

Fui criança. Melhor,

sou.”

 

Concluiu, confuso e extasiado:

“Eu sou o que fui e não,

o que serei e renunciarei ser,

um algum e nenhum.

 

Em verdade,

sou apenas uma gamboa herética, entupida

 

de milacrias.”

 

Saiu chutando com o sorriso

                                          

                                               latas e pedras

da vida.

......

 

Suponho tenha sido um convívio mais estreito

com a morte,

ou a proximidade da solidão,

ou as constantes visitas do desengano

que o transformaram no ser apático,

tão distante do vigor antes provado.

 

Desleixado, descuidou de governar-se.

Conforme o imponderável ditava-lhe o rumo,

fazia-se, mais e mais, sujeito aos caprichos dos ventos.



Escrito por Benito Barros às 06h36
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Mas a servidão ao imprevisto tinha seus dias contados....

Não de força própria, não era de seu feitio

dar dessas guinadas.

Nem sequer era seu propósito,

pois, entre a dor de enfrentar a vida resoluto

e o navegar descuidado e imprevisto,

preferia não se envolver.

 

Mansamente, furtivamente,

um ser sem tino,

desses que os céus oferecem de graça aos infelizes,

achegou-se e...

 

Ei-lo:

poita livre, escota firme,

a singrar decidido na vastidão

de outros ignorados gozos.

 

Tudo ilusão!

 

Quem disse que se pode

governar a própria vida

para além ou aquém dessa bala que se lhe atravessa

o peito?

 

João. Doridamente João, Doido por sobrenome.

João Doido. Dorido João.



Escrito por Benito Barros às 06h35
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Se todos fossem iguais a você...

 

Esse caso se deu na Pista, semana passada.

Uma senhora, beirando os 80 anos, estava a varrer a calçada de sua residência quando estaciona um carro da Cosern e dele salta um funcionário empunhando o temido alicate.

- O que você vai fazer aí? Pergunta a velha senhora.

- Vou cortar a energia dessa casa - responde o funcionário, já subindo no poste.

PÁ! O  cabo de vassoura, vibrado com maestria, explodiu no lombo do eletricista.

- O que é isso, minha senhora? Eu estou só fazendo meu serviço.

- Você vai a cortar a energia, é? Então, suba!

Premido entre o dever de servidor da empresa e o convite feito em tom desafiador, o rapaz resolveu cumprir o mandado de corte.

PÁ! O cabo de vassoura encontrou novamente o lombo do funcionário. E pegue cabo de vassoura!

- Minha senhora, eu estou só cumprindo ordens. É o meu serviço.

- Ah, é? Então, suba!

Escabreado, o rapaz entrou na viatura da empresa e... fez carreira.

...

Ah, se todos tivessem a determinação daquela senhora! Ah, se todos tivessem a coragem de usar com energia as armas disponíveis na defesa dos seus direitos!

O voto bem poderia ser um desses cabos de vassoura no lombo de mensaleiros, sanguessugas, corruptos de todos os tipos e mistificadores de todas as espécies.

Pau neles!



Escrito por Benito Barros às 05h14
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Fraco. Sempre fora um fraco.

Enorme fraqueza, bem forte

desânimo.

Quanta coragem negada,

valentia quebrada.

Refreios sem fim do desejo,

mortes prematuras do afã.

 

O encrespado da memória fez-se só

crivo de angústia.

Entre ser nada e nada, eram poucas as possibilidades.

E, para que não se dissesse apenas de sua demência,

decidiu-se...

pela última opção

 

- persuadido que

a morte avacalha a idéia de impotência.



Escrito por Benito Barros às 05h13
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O amor é lindo e não pode morrer. (8)



Escrito por Benito Barros às 05h13
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Angústia

 

O Passado à minha Desgraça:

“Estúpida, o que tonta fazeis

no bar de Marcos, na praça

Cosme Rodrigues dos Reis?

 

Que outras tantas asneiras,

nessa esquina indecente,

onde a rica Martins Ferreira

cruza  Pe. João Clemente?”

 

Minha desdita não é de tagarelar

- com gente sem futuro, inda mais!

São horas de, silente, atravessar

o hoje e o aqui ao jamais.

 

E lá foi, como outrora se fez,

ao amplo colo da embriaguez.



Escrito por Benito Barros às 06h11
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O ébrio sítio chama-maré

ora emprenha-se de gente.

Do sol, esquecido da madrugada

ferida, espinhos de anequim

fertilizam a doce morenice,

a noite insone cauterizam.

 

Bulício das gentes

na incorpórea cruz:

cruzar de sortes diferentes,

laúza de olhares que a nenhum seduz.

 

Ziguezague de desejos extintos

- infinitude de paralelos destinos.

A democrática esquina a todos acolhe:

velhas senhoras, senhores distintos;

meninos vistosos, meninas viçosas.

De vadios e doidos, um molho.

Aqui, nessa pequenina praça,

toda sorte de gente dá sua graça

enquanto, no álcool, as mágoas desfolho:

 

bancários

falsários

escriturários

sicários

notários



Escrito por Benito Barros às 06h07
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perdulários

comerciários

salafrários

otários

honorários de satã

compõem em uníssono a ária diária

do sofrer da gente vária.

 

Peixe-Podre exala o reclame afamado:

“Chegou o Peixe-Podre!

comprou, pagou,

comeu, morreu.

Quem não morre fica lascado

fodido ou arrombado.”

Mestre Cícero em atitude de grude

ou comovido com os dotes da negritude.

 

Bar de Marcos, sentinela dos rios de asfalto

- meridiana rosa-dos-ventos em sobressalto:

São Lourenço comanda a ira celeste

na pendenga do nordeste com o leste.

 

Repasso o caminho de espinhos

- trilha dum amor fraturado.

Conforto-me de mim para mim:

minha dor não foi em vão

ao cravar seu punhal de cetim

nos dentes doentes da traição.



Escrito por Benito Barros às 06h06
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Quando, enfim, finda o dia,

bêbados retiram-se aos magotes.

Um cego entoa a melodia:

 “quem não pode com o pote

não pega na ‘rodia..”

 

No bar de Marcos, na praça

Cosme Rodrigues dos Reis,

o Passado à minha Desgraça:

“Estúpida, o que tonta fazeis?

 

Que outras tantas asneiras,

nessa esquina indecente,

onde a venal Martins Ferreira

cruza  Pe. João Clemente?”

 

Bar de Marcos, como tantos,

onde desfiar o rosário

de penas sem fim.

“Enfim, todo bar é multidão e solidão

em mim”.*

 

 

* Nei Leandro de Castro

 



Escrito por Benito Barros às 06h05
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DESESPERO

 

Os jornais de domingo noticiaram a expulsão de três vereadores do PMDB macauense: Odete, Haroldo e Oscar. Vale lembrar que os três foram os mais votados na última eleição.

A última pesquisa, divulgada também no domingo, mostra a espetacular queda na diferença entre Garibaldi e Vilma. Os Alves estão com os nervos à flor da pele.

 

HUMILHAÇÃO

 

No episódio da expulsão dos vereadores peemedebistas, o que ninguém consegue entender é a posição de Zé Antônio.

Há muito, os dirigentes estaduais do PMDB (entenda-se, os  Alves) vêm tratando o ex-prefeito com desdém. Já dissemos aqui do comportamento escroto dos  Alves na última eleição para prefeito, quando desprezaram a candidatura do PMDB para apoiarem o candidato malufista. Recentemente, Zé Antônio foi verdadeiramente humilhado na história da destituição do Diretório municipal. Defenestraram Dra. Celeste da presidência para entregá-la - a presidência - ao grande líder popular Zé Maria do Posto. Como consolo, deram ao ex-prefeito o cargo de... de quê mesmo? Agora, os Alves expulsaram os três vereadores de mais fortes vínculos – afetivos, políticos, etc.- com o ex-prefeito.

Será interessante ver no mesmo palanque, defendendo a candidatura 171 (lembram-se daquela história do saneamento - que o dinheiro estava escutando a conversa e que N. S. da Conceição era testemunha? Lembram-se que prometeram construir a Central do Cidadão? Lembram-se do Centro Poliesportivo que foi parar em João Câmara? Lembram-se da ponte da Ilha de Santana?....) Pois bem, será interessante assistir, no mesmo palanque da candidatura 171, ao atual e ao ex-prefeito Zé Antônio, os dois pedindo voto para Garibaldi.

Zé Antônio, Zé Antônio... você não merece isso!!! Nem Macau!



Escrito por Benito Barros às 06h04
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Caderno de lições de um Chama-Maré (IV)

Escrever. Escrever. Escrever

enquanto

se esfuma o gemer compassado do amado

e  ainda não olvidamos o dilacerar febril das carnes;

sobreviver o bote do tigre desejo

na lebre acanhada do olhar da criança;

a expectativa do gozo não se tenha

convertido em dor;

se goza o terno aconchego

dos inoxidáveis braços da lua cheia;

cata, nos bagaços da manhã finda, fiapos de luz

com que se invente uma nova aurora para o amado;

haja meninos adubando com lágrimas

impassíveis páginas de cadernos escolares;

se souber guiar e se perder pelos sorrisos;

a cidade emerge das noites de agonias

e as amarguras caningam a paz solar dos domingos;

se devora formidáveis fatias de desesperança;

ingênuo, se creia na existência dos portos,

no acerto do trilho das quilhas,

e se acredita no que só o simplório vê:

as esperanças contidas nas clarinas da amanhecença

e a poesia derramada no beiço da maré.

 

Escrever

- ainda que não se creia -

sobre Deus e Seu improviso: o homem;

crendo no indivíduo, improviso do homem, e

em Deus, improviso do indivíduo;

sobretudo, no rastro do espanto,

enquanto

se cavalga os escombros do limite entre o real

e o sonho



Escrito por Benito Barros às 05h15
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Arte para o povo.

Picasso

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 05h13
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Caderno de lições de um Chama-Maré (III)

Dever de Casa

 

I – exilar o amor-próprio quando a genitália gangrenada da maldade lançar semente no solo propício do teu olhar.

II – perder-se e não se reencontrar nas translúcidas engrenagens do teu azul e saborosíssimo sabor.

III – quando em você, espraiar-se no gozo qual urina a escorrer na laje irregular.

IV – havendo reclame de exceder, escusar-se: “estava bêbado (de você), não voga!”



Escrito por Benito Barros às 09h11
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Expressões ouvidas recentemente

 

- Um troço de galocha

- Torar (arriar, quebrar) os “quarto”.

- Se arrastando nos ‘quarto’ que nem raposa ‘beba’.

 

xxxxxxxx

 

Passaram-me esses versos - parece-me - de Caim de Cambão:

Mote

Tendo perna e tendo couro

Eu só respeito tamborete.

Glosa

Boto quente como touro

Que não tem pena da vaca;

Como burro, como paca...

Tendo perna e tendo couro

Pode fazer cara de choro,

Ser doente pra cacete,

Mas gostando do macete,

Doida e cega, tudo eu furo.

Eu estando de pau duro

Só respeito tamborete.



Escrito por Benito Barros às 09h10
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PERIGO

 

A esposa do prefeito se envolveu num acidente automobilístico, segunda-feira passada. Segundo testemunhas, ela não foi causadora do  tal acidente, mas, um truculento assecla do prefeito empurrou o cinegrafista da TV Litoral para impedi-lo de registrar o fato. Em seguida, o mesmo fâmulo - que não é o Juvenal -  prometeu, em tom de ameaça, que aquela notícia nunca sairia na TV Litoral, como se ele ou o prefeito - a quem telefonou na hora para exigir a censura -  fosse proprietário da emissora. E, parece que é. A TV Litoral não noticiou o caso.

O que impressiona na história, além da censura imposta pelo prefeito à TV Litoral, é a brutalidade dos sequazes do prefeito. Quem não lembra da violência com que foram tratados os moradores da linha do trem naquele episódio da destruição das barracas das marisqueiras? Lembro um outro fato ocorrido há dias - a derrubada das árvores da Praça das Mães - quando um canalha a serviço da municipalidade ordenou ao tratorista que empurrasse uma das árvores arrancadas para cima do meu carro. Não são poucos os casos marcados pela estupidez desses ordinários a soldo do município.

Não sei quem autoriza ou se há quem autorize esse tipo de comportamento. Entretanto, o simples fato de tolerá-los, já diz bem do caráter deformado das autoridades envolvidas.



Escrito por Benito Barros às 09h09
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Apesar dos pesares,

desejo a todos um domingo de grandes descobertas....

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 09h08
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