Império da Casqueira


Circularidade

 

tomando uma, me desmantelo

 

    ....

 

a lua, essa sujeita, me doida

 

    ....

 

adolescência... onde sonhos pastam

 

    ....

 

meu ser não se emenda

 

    ....

 

no viçoso das carnes juvenis a loucura se aboleta

 

    ....

 

a ira se veste de pano-branco e traz na boca águas-vivas

 

    ....

 

fiquei de mal do sol

 

    ....

 

meu guia é uma exageração de cego. Que jeito?! Alcoolizar o caminho

 

    ....

 

antes a volúpia nos extremos do açoite

que a fria angústia de mil sóis na noite



Escrito por Benito Barros às 05h46
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Arte para o povo.

Alain Baudry

 

 



Escrito por Benito Barros às 05h45
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Pronominais

 

É-se imensidão do nada

se não se ensolara

no acetinado azul

do vôo do tamatião.

 

É-se um nada de só

se não se noita

na gralhada sepultureira

dos caborés,

ou não se criança

no andar matreiro

do socó em caça na croa.

 

É-se potência de nenhum

se não se menina

no enfunado das velas

ou nos volteios das zingas.

 

É-se algum

quem se orvalha no piar

do gavião na maré.

 

É-se um e mais

quem se sorna de aprazimento

no beijo morno do sol ao mar

ou  se sonha navalha-quilha

a ferir aquele beijo.

 

É-se tudo e o diabo a sete

quem se mangueia

ou se arquiteta em lama.



Escrito por Benito Barros às 04h35
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Pousado no frade da velha barcaça

- o olhar fisgando nesgas de pôr-do-sol –

o febril menino se faz de sonhos caça

ao azulescer o lento e morno arrebol.

 

Em tremores, lenta, finda a tarde

- barco, maré, mangue, corpo

mármore por onde o sangue arde

na busca de poema que lhe seja porto.

Henry Scott Tuke (1858 - 1929)

Que outras carnes provarão aquele sonho?

Que outros sonhos provarão aquela carne?

Se ontem o menino ardia na morna tarde,

 

hoje, decrépito, desiludido, tristonho...

No balanço da vida desperdiçada:

o medo de viver e esta lembra tarda.

Charles Demuth (1883 - 1935)



Escrito por Benito Barros às 05h55
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Teu silêncio trai mil afagos

- palavra negada, gesto tolhido

na paz forçada onde trago

goles do afável fel recolhido.

 

Mistura de dor, mel e sombra,

teu silêncio guarda a ausência

da dor que já não assombra

e da fúria em penitência.

 

Teu silêncio é tarde

antes da noite corroída.

Teu silêncio ferro arde

 

e sara e reabre a ferida.

Teu silêncio se arredonda

em dor, mel e sombra.

 



Escrito por Benito Barros às 05h57
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Arte para o povo.

Darold Perkins

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 05h56
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Em homenagem ao meu tio Barrinhos – Benício de Barros Filho – falecido ontem, aos 96 anos, em Currais Novos.

A morte e a esperança

 

Três brutos distintos galopeiam

a alma lodeira.

Rincham negros, pardos, alvos

sons longevos.

 

E do rinchar antigo distingo

de cada alimária

o som dos galopes no limo

do espírito vário.

 

Pancadas secas na ardência

do sonhar fundo.

Patadas surdas na demência

do ser imundo.

 

Diferenço um primo galope

pela constância

irritante dos rinchos e golpes, e

negra faiscância



Escrito por Benito Barros às 05h59
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que cegam, ensurdecem a alma.

Sedutor fim

a chamar galante o corpo à calma

do breu sem-fim.

 

Combate-lhe o burlão alvacento

com trapaças.

A esperança só serve de alento,

pois, às traças.

 

A terceira égua - pardenta -

filha do rude corte

dos outros dois elementos

- inimigos consortes -

 

oferta seu pródigo dorso

à minha sombria sorte.

Cavalgo, então, sem esforço,

a suave espera da morte.



Escrito por Benito Barros às 05h58
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Bena I, o Mais Magnânimo dos Anfitriões, recebeu, neste domingo, a ilustre visita de um grupo de nobres capitaneados pelo Senhor do Oco da Cobra. Na comitiva, destacava-se o aristocrata Tertuliano Neto a quem o Imperador conferiu o título nobiliárquico de Senhor das Terras das Cidades Altas e Adjacências.

O Primeiro Cronista Mundano do Império participou do notável encontro e registrou os acontecimentos.

Festa no Palácio Imperial

Enlevado com tão magnificante visita, o Imperador Bena I, ofereceu um opíparo rega-bofe à base de lagosta e camarão, quando foram servidos os melhores vinhos da Adega Palaciana. A imperial pândega ainda teve o efusivo brilho de duas virginais damas vindas da Ponta Negra que desfilaram em diminutas vestes a graça e elegância pontanegrense pela Sala do Sólio, enquanto se servia o lauto banquete.



Escrito por Benito Barros às 06h15
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Depois do banquete, o Imperador Bena I, o maior de Todos os Mecenas, convidou todos para um rápido passeio pelo Museu de Belas Artes, onde puderam apreciar a coleção de antiqüíssimas gravuras...

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 06h11
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... além  de belas e significativas relíquias arqueológicas  do acervo Imperial

adquiridas em diversos continentes.

 

 

 

 

 

 

xxx

 

Um abraço, companheiro Tertu. Foi um imenso prazer conhecê-lo. Apareça sempre.



Escrito por Benito Barros às 06h07
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Um flagrante do companheiro de lutas do Chapolin.

 

 



Escrito por Benito Barros às 09h36
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OS SÚDITOS IMPLORAM...

O IMPERADOR BENA I, O MAGNÂNIMO, ATENDE.

E O FAZ ALÉM DA CONTA!

 



Escrito por Benito Barros às 09h32
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Caso Arrumado

 

Sob a acusação de um implacável Ministério Público, viu-se uma vez, um Homem de Estado preso e metido na cadeia. Como a sua delicada natureza espiritual sentia grande aversão por um tal estado de coisas, mandou chamar o Procurador-Geral da República e pediu-lhe que a acusação fosse anulada.

- Mas sob que base? – perguntou o Procurador.

- Por falta de provas incriminantes!

- Tem consigo, por acaso, essa falta de provas? – perguntou o Magistrado. – Gostava muito de a ver.

- Pois  tenho o maior gosto em a mostrar – replicou o Homem de Estado. – Aqui está.

Dito isto, estendeu um cheque ao Magistrado. Este último, depois de o ter examinado com a maior atenção, declarou que o documento constituía a melhor ausência de provas e presunção de culpabilidade por ele vista em dias de sua vida. Acrescentou até que seria suficiente para absolver o homem mais pobre do mundo.

BIERCE, Ambrose. Fábulas fantásticas. Editorial Estampa, Lisboa, 1971



Escrito por Benito Barros às 06h21
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Um bom domingo a todos...



Escrito por Benito Barros às 06h18
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