Império da Casqueira


desenho de Raphael Perez

Os lábios têm ciência da geometria celeste.

Frequente esquadrinham o leito do rio que conduz

ao paraíso.

Rio que se inicia nas fontes azuis dos seios,

transpõe a cortina diáfana do sorriso,

se empalha na muralha do olhar esmoler

antes de se aventurar na negra floresta dos cabelos,

e lançar-se, depois, lombo abaixo

- entre suave e caudaloso -

para desaguar em meio a aveludada montanha,

guardiãs do vulcão edênico em que

(se) morre.

Nas corredeiras da saliva

bóia e nada e deságua,

o desejo, para além da barra,

de foz em fora,

até fundear exausto no lamarão sem margens

do tédio.

A lógica vital:

se ao finado prazer sobrevém o fastio,

cumpre percorrer, ainda e sempre

e sem fadiga,

o caminho das águas

- a língua por leme e remo.



Escrito por Benito Barros às 05h43
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Ontem, por volta das 14:00 h., vi passar, na esquina Valdetário Carneiro, um caminhão que transportava na carroceria duas árvores: uma acácia e uma algaroba. Doeu-me profundamente aquela cena. Uma acácia e uma algaroba na carroceria de um caminhão. Mais um crime. Mais um crime. Até quando a insanidade governará minha ilha?

Seria pequeno responsabilizar apenas o atual prefeito. Seria menor fazê-lo único culpado.

Este prefeito é um exemplo acabado das conseqüências da impunidade. O cara transformou Macau na ilha da venalidade e continua finório a fazer misérias com o dinheiro público sem que o Judiciário se mova para fazer cumprir a lei, ou pelo menos, a lógica. Se o cara foi considerado, pelo TSE, inelegível desde outubro de 2003, por quê ainda continua como prefeito? Qual a razão para a demora do TRE em dar um ponto final nesta palhaçada, e, de quebra, estancar esta sucessão de crimes contra Macau?

Há quem responsabilize os juízes que, de uma forma ou de outra, contribuíram ou contribuem para que esse indivíduo continue a praticar os crimes que vitimam nossa cidade.

Mas há também os que replicarão: é a lei. É necessário seguir todos os rituais e prazos impostos pela legislação. A resposta a este arrazoado, dirão os primeiros, é simples: NÃO! Não é a lei, a culpada. Fosse um pobretão o alvo desta lei, ela há muito o teria irremediavelmente atingido. Ou, o Juiz tivesse a sensibilidade suficiente para saber o mal que está provocando e sentisse na própria pele como os macuenses estão sentindo, ou tivesse um mínimo de bom senso, há muito que essa pendenga estaria resolvida.

A verdade é que, independente de quem seja o culpado – e aqui se inclui os que se venderam nas eleições passadas – a verdade é que Macau vive uma situação estapafúrdia e, pior, periclitante. A cidade tem um prefeito que, por determinação judicial, não poderia ter sido candidato. Um prefeito desobediente às  leis. Um prefeito filho da impunidade e pai da destruição. ATÉ QUANDO, MEU DEUS!

xxxx

 

Asseclas do edil derrubador já alardeiam, descaradamente, o estrago de dinheiro que será a próxima eleição. Pobre Macau!

 



Escrito por Benito Barros às 05h40
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Ancora em teu sorriso este olhar triste

e dele descarrega a fatal melancolia

que, sem dó, com dano tu cerziste

à minh’alma então repleta de alegria.

 

Depois liberta destes olhos as amarras

para aliviados, leves, mas descuidados,

transporem temerários nova barra

doutro rir que os hospede esperançados.

 

Mas se em teu peito, cruel chama mora

que negue ao olhar o merecido alívio,

não te perturbe rude remorso... Embora

 

ao negar aos meus olhos o esmoler convívio,

quando doce refúgio o teu duro sorrir quiser,

negue-lhe abrigo um outro olhar qualquer.

Chris Oku



Escrito por Benito Barros às 05h58
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Arte para o povo.

Felix d´Eon

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 06h06
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Prostrara-o em idos tempos um amor rude

forjado em dor, angústia e desespero.

Ao avançar na via acre da decrepitude,

já resignado elege a paz ao exaspero.

 

Ousara, inutilmente, ser refratário

ao atribulado amor dos tempos idos;

mas faltaram-lhe a força e o necessário

arrojo dos amantes destemidos.

 

Negara, o tempo, ao desditoso amante

a fé, a garra  e o atrever-se inevitáveis

para arrostar-se na estrada lancinante

 

doutras doridas paixões ingovernáveis.

Se ânimo e engenho de ousar então tivera,

hoje, pomba não seria, decerto seria fera.

 

 

Paul Cadmus (1904 -1999)



Escrito por Benito Barros às 06h00
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Cargo do poeta:

aparados os excessos,

extrair da vida

a poesia contida.

 

Com o espanto cinzel,

esculpir na pedra

que a vida traz bruta

a imagem brusca,

ou, fazer a árdua

ligadura dos pós:

conceitos e fatos.

Lixas e liames:

secretos   (lágrimagalasuorcatarro

                 urinasanguepusmerda)

 

Lavor em pedra,

súbito de perda.

 



Escrito por Benito Barros às 05h57
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O amor é lindo e não pode morrer. (6)



Escrito por Benito Barros às 05h54
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Auto-retrato

 

O poeta menor, no amargo afã de dissecar

as sensações e descobrir

o átimo que universaliza o sentimento,

descobre em si travos.

E se empalha e se contamina em dores.

Estranha a essencial assepsia

para dissimular

e converter em vera poesia

 

o que na alma                                 vaga.



Escrito por Benito Barros às 05h34
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Na última sexta-feira, 21/07, houve a homenagem a Gilberto Avelino, no Lions. Formavam a mesa: o prefeito, a vice, o presidente da Câmara, Chico Paraíba (presidente da Fundação Macauense de Cultura) Tião Maia (Diretor do Hianto de Almeida), D. Gilda Aveljno, Horácio Paiva e eu (de peru).

Bonita exposição de pertences de Dr. Gilberto que comporão o Memorial Edinor e Gilberto Avelino. O Memorial, uma feliz idéia de Paraíba, funcionará no antigo escritório do poeta, na Martins Ferreira. Para o seu funcionamento, a Fundação colocará à disposição equipamentos e um funcionário.

Nossa participação no evento restringiu-se à leitura da Carta a um Flamboiã Assassinado, posto que este texto traz em epígrafe e se encerra com versos de Gilberto Avelino. Foi a maneira mais simples que imaginamos de homenagear o poeta, vez que o mesmo sempre cantou a natureza de nossa região.

O prefeito, fugindo ao script norteado por um discurso medíocre, inventou de vestir a carapuça. Saiu-se, então, com algumas maravilhosas e hilariantes pérolas:

1ª “Eu derrubei 9 (nove) árvores.” Como se fosse pouco e não fosse uma deslavada mentira. Foram mais de vinte árvores frondosas arrancadas, afora os canteiros transformados em asfalto.

2ª “Em homenagem a Gilberto Avelino, eu comprei 6.000 (seis mil) mudas...” Adonde vão meter tantas árvores? Ainda bem que são mudas, pois se falassem...

3ª Ao final, quando já se distanciava do microfone – daí, poucas pessoas terem escutado – o ápice de sua burlesca defesa: “E eu não derrubei nenhum flamboiã.”

Triste Macau!



Escrito por Benito Barros às 05h33
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Apesar dos pesares, um bom início de semana a todos!

 

 



Escrito por Benito Barros às 05h32
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Um bom domingo a todos...

 



Escrito por Benito Barros às 06h18
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... que eu vou para minha ilha.

 



Escrito por Benito Barros às 06h18
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Minha vigília é masculina, não macho

- musculoso, áspero.

Antes, de masculina fraqueza,

visível  e flácida.

Máscula estância do fazer nada

onde a feminina ausência

não esteriliza a impotência.

De sonhos inférteis, morada,

feita de nossa ruína,

minha vigília é masculina.

 

Desvelar sem desvelo

de mim ou de outrem.

Minha vigília emasculada,

peja de nacos do nada:

um sem tempo,

um lugar sem sê-lo.

 

De libido esporeada,

minha vigília

é mula

empacada.

 



Escrito por Benito Barros às 05h49
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