Império da Casqueira


O ocaso, cúmplice, piscou-me o alaranjado olho.

A que travessuras me convida para afadigarmo-nos

e frustrar a cruel noite que nos espera espertos?

Em tudo que me propõe há o mesmo

angustiante anseio de me fazer liberto.

Esse esmaecer insolente do dia convida-me

a líquidos e ilimitados vôos.

 

Os  mangues parecem indiferentes e

apenas as garças demonstram vivo interesse

no meu negócio com o arrebol.

 

O chão, mais cruel que a noite, objetou:

ainda que você voe, e não queira, de mim não se desligará...

eu serei o infinito de sua sombra

como aquela dorida lembrança o é

das sombras de seus pensamentos e sonhos.

 

O ocaso...



Escrito por Benito Barros às 05h48
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As melhores seleções da Copa do Mundo da Casqueira. (4)

Em pé: o Imperador, Inha, Véio Marcos, Gilmar, Aluízio e Wilton.

Agachados: Lilico, Mundinho, Marcos de Neinha e Funil.



Escrito por Benito Barros às 05h44
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Eficiência Jacaré

Asseguraram-me que foi verdade.

Uma pessoa liga de Soledade pedindo uma ambulância para socorrer uma mulher, e informa que ela estaria em frente à escola, aguardando o socorro.

O encarregado das ambulâncias manda Jacaré ir pegar a paciente.

Duas horas depois, a pessoa liga reclamando que a ambulância ainda não tinha chegado em Soledade.

O encarregado telefona pra Jacaré:

- Jacaré, por que você ainda não foi pegar a mulher em Soledade?

- Eu estou aqui em frente à escola de Soledade e não tem nenhuma mulher doente aqui.

- Jacaré, onde é que você está mesmo?

- Estou aqui,em frente à escola de Soledade, em Natal.

....

 

Meu time ganhou!

Torço pelo Equador com restrições, pois , como não sou sadomasoquista,  prefiro o time sem ador. Essa foi terrível!



Escrito por Benito Barros às 05h39
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Na última quinta-feira, a Egrégia aprovou o projeto de lei n° 07/2006, de autoria do prefeito, que “concede AJUDA SOCIAL temporária e no valor de um SALÁRIO MÍNIMO MENSAL, para cada família de marisqueiro atingida pela intervenção na retirada dos barracos que estavam nas margens da linha ferroviária, trecho urbano envolvendo as ruas Feliciano Tetéo, Pedro Lopes de Araújo e Bairro dos Navegantes, AUTORIZA CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA DE PESSOAL  e dá outras providências”.

Foi a maneira que o prefeito encontrou para compensar a mastodôntica cagada que tinha cometido. O problema é que esta compensação financeira não (a)paga os danos morais causados pela forma truculenta com foi feita a desocupação. Outro detalhe: em seu artigo 3º, a primorosa lei aprovada pela Egrégia, que a prefeitura “fiscalizará, por meio de Relatórios Mensais” (...) “suspendendo o pagamento de imediato quando constatar desvios das finalidades, mudança de atividade ou suspensão injustificada dos serviços citados pela família beneficiada.” Pergunta-se: como “desvios das finalidades”? que “finalidades” são essas”? Que estória é essa de “mudança de atividade”? Estão querendo incluir gente que não é marisqueiro? Na realidade, este artigo 3° é uma grande sacanagem que vai permitir incluir irregularmente apaniguados ou, principalmente, excluir dos benefícios as marisqueiras que não rezarem pela cartilha política do prefeito. Pois, como diz a lei, se o benefício cessará quando da construção e entrega para uso da “UNIDADE DE BENEFICIAMENTO DE PRODUTOS D MAR – MARISQUEIROS”, por que, então, não construir logo o galpão reivindicado pelos trabalhadores? Aliás, isso é o que deveria ter sido feito antes da expulsão.

Outra jóia encravada na lei é o seu art. 4º. Este é de um descaramento sem limites. Diz o artigo - que já não tem nada a ver com caso das marisqueiras:  “Fica a Prefeitura Municipal de Macau autorizada a CONTRATAR profissionais ou empresas prestadoras de serviços especializados, por prazo determinado e não superior a 12 meses, em caráter de urgência para fins de uso (sic) em atividades...” etc, etc, etc. Traduzindo: é a patifaria da farra das contratações pré-eleitorais e o pagamento dos compromissos da campanha passada. É uma vergonha. Triste Macau. Pobre ilha.



Escrito por Benito Barros às 05h38
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Trecho de Nota à Imprensa divulgada pelo Dr. Wilkson Vieira Barbosa Silva, Promotor de Justiça Substituto da Comarca de Macau, “acerca dos acontecimentos do último dia 02 de junho do corrente ano, no tocante a retirada da comunidade de marisqueiros no Bairro dos Navegantes.”

“Cumpre, inicialmente, informar que tal determinação não partiu desta Promotoria de Justiça, pois para tal reintegração ter ocorrido necessário se fazia uma declaração judicial, o que não foi providenciado pela Prefeitura de Macau, a qual, pelo contrário, entendeu por atuar de forma arbitrária e em total desconformidade com o Estado Democrático de Direito, no qual está inserida a nossa sociedade.Cumpre informar, ainda, que todas a s medidas cíveis e criminais estão sendo tomadas por este Órgão Ministerial no tocante a purar a responsabilidade de todos os envolvidos neste fato.”



Escrito por Benito Barros às 05h37
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Seu olhar

 

Era chama do abismo.

Uma taça de vinho tinto onde esplendia

uma lua cheia

- urupema argentina na vastidão rubi do céu.

Uma lua em gestação de delírios.

Meus e seus.



Escrito por Benito Barros às 05h33
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As melhores seleções da Copa do Mundo da Casqueira. (3)


Max Football Club



Em pé: Fernando, Bego, Verinho, Frank, 14.


Agachados: Mundinho, Lilico, (...), Celso e Véio Marcos



Escrito por Benito Barros às 05h32
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Antes, herói no campinho da maré,

fui autêntico, raro zagueiro.

Empós, desgarrei.

 

Percorri linhas e versos amplos

em que estávamos –

versos vindos do início do século,

como os de Fernando Pessoa e Kaváfis.

 

Fui mais longe: Lautréamont,

Verlaine , Rimbaud...

 

De tão longe

fiz-me inviável.



Escrito por Benito Barros às 06h38
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As melhores seleções da Copa do Mundo da Casqueira. (2)

Em pé: O futuro Imperador, Maurus de Seu Santos e Barros.

Agachados: Rômulo de Zé Teixeira, Paulo de de Seu Newton Paulino e Vargas.



Escrito por Benito Barros às 06h36
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Feitio de serpente de bote presto,

entre um salto e outro,

tropeçara em muitas miragens.

Descaminhou-lhe

um prazer remoto

e uma dor ausente.

 

Hoje,

despropenso a vigilâncias,

lavrado em descuidos e carências

seu viver desonera fora da loca.

Vaga à toa e sem malícia

sob o jugo da contingência.

Nem os sonhos, se ainda os têm,

vivificam o antigo ardor .

 

Não desistiu de viver,

apenas não quer acordo com a vida,

como a dizer:

às derrotas,

resistimos, sobrevivemos.

Às vitórias,

coitados de nós!



Escrito por Benito Barros às 06h29
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As melhores seleções da Copa do Mundo da Casqueira.

A turma da maré.



Em pé, da esquerda para direita: Carlinhos, Celso, Jorge, Wilton, Netinho e Mundinho.
Agachados: Coiceiro, Inha, Nazareno, Zé Rolinha, Véio Marcos e Bananinha.



Escrito por Benito Barros às 06h07
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Arte Imperial

Thomas Eakins -  Swimming



Escrito por Benito Barros às 05h10
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Fiz do meu peito um castelo medieval.

A cercá-lo, uma muralha encomendada

a antiqüíssimos arquitetos chineses.

 

- Ô, de casa,

deixe-me entrar.

- Não.

 

Mobiliei-o com nobreza rústica:

umas iniqüidades aqui,

ignomínias ali...

os mais terríveis erros

espalhados pelos cantos.

 

- Ô, nobre castelão,

deixe-me entrar.

- Não.

 

Pavimentei com o asfalto do medo

o piso onde caminharia assombrado

o olhar da criança de outrora.

 

- Ô, de casa,

tem vivente nesse castelo?

- Não.



Escrito por Benito Barros às 05h39
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O único hóspede fugiu espavorido

a paragens claras e arejadas.

 

Quando de sua partida,

fez-se o  deserto.

Ele se espraiara por todos os desvãos

destruindo a mobília,

desfigurando o pavimento.

Ocupou cada espaço com seus

sorrisos e silêncios.

 

A muito custo recupero o antigo mobiliário.

Lustro o chão para as cores de antes.

E a pintura de lágrimas refaço

com o amarelo da saudade dele.

 

- Ô de casa,

deixe-me entrar, ao menos para passar a noite.

- Entre. Seja bem-vindo.

Noite aqui não falta.



Escrito por Benito Barros às 05h38
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Bom início de semana a todos...

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 05h36
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O Imperador solitário observa a paisagem árida do Império.

 



Escrito por Benito Barros às 05h31
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O amor é lindo e não pode morrer.(3)

 



Escrito por Benito Barros às 05h30
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O  Carlos Malta, versejador competente e moluscófilo emérito, nos enviou estas interessantes décimas:

A rua da linha virou um inferno em chama  

Na noite que eu vi o DONO DE TUDO

Todo brabo, impiedoso e trombudo.

Mais uma vez faz jus a sua fama.

Não importa se a pobre mulher reclama

que amanhã não vai ter o que comer.

Respondendo ele diz:vá se fuder

Já paguei o seu voto na campanha,

Cale a boca senão você apanha

Eu já fiz, tô fazendo e vou fazer.

 

Dito isso sentou numa cadeira

E seus olhos brilharam num instante

E lançou o seu olhar fulminante

Que pra ele aquilo é brincadeira.

Que me importa o grito e a choradeira

Pois o povo comigo vai sofrer

Por que quando eu começo a beber

Não respeito nem a mãe de pantanha

Cale a boca senão você apanha

Eu já fiz, tô fazendo e vou fazer.

Como a poesia está bem feita, a publicamos em destaque, apesar de não concordar com certos aspectos dela.  Creio que se trata de um diálogo imaginário. Sabedor, no entanto, das coisas da ilha, considero que bem poderia ser verídico. Mas, este é um espaço democrático que segue determinadas regras de civilidade. Se alguém porventura se considerar atingido pelos viperinos versos do denodado vate, é só avisar que tomaremos as medidas cabíveis.



Escrito por Benito Barros às 05h21
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Há três anos, quando ministrava Metodologia do Trabalho Científico para a turma de Pedagogia de Macau, solicitei uma pesquisa sobre a vida dos marisqueiros. As professoras pesquisadoras, minhas alunas, pretendiam apenas entrevistar as marisqueiras e descrever a condições de trabalho nas barracas da rua da Linha. Eu sugeri (exigi) que elas fizessem algo mais substancioso, algo como uma observação participante, para terem uma idéia aproximada da vida sofrida daqueles trabalhadores. E elas assim o fizeram. Visitaram várias vezes as barracas e as residências dos trabalhadores, bem como, literalmente, meteram os pés na lama - foram, um  dia, ajudar os marisqueiros no seu trabalho de apanhar mariscos na maré. Imaginem a inusitada cena: as professoras lá nas croas, catando marisco!... O resultado do trabalho foi impressionante. As meninas (minhas alunas) realmente se dedicaram  a valer e apresentaram um resultado que poucas vexes assisti nestes anos todos de sala de aula. Não foram poucos os momentos em que as professoras se emocionaram – uma chorou ao ver que um de seus melhores alunos vivia daquilo e naquilo. Esse fato é  revelador de uma das tragédias do nosso sistema educacional: o alheamento dos professores em relação à realidade (bem próxima) de seus alunos.

A pesquisa rendeu, entre outros frutos, uma fita de vídeo onde elas registraram as principais questões relativas à vida e ao trabalho dos marisqueiros. Foram colhidos depoimentos tristemente reais. Eram idosos, mulheres feitas, adolescentes, crianças, todos na mais profunda miséria e sobrevivendo de um trabalho insalubre desde os primeiros anos de vida - quando começam a acompanhar os pais à maré e a ajudar as mães na descasca dos mariscos.

Mas uma das queixas comuns a todos os marisqueiros dizia do descaso do poder público. E mais que descaso, a autoridade municipal, por diversos momentos, os enganou ao retirar, nos dias próximos das grandes festas, as barracas sob a promessa de se construir um galpão definitivo onde pudessem realizar os seus trabalhos sem enfearem a cidade com os miseráveis barracos. A prefeitura nunca cumpriu tal promessa. Retiravam as latadas e depois... babau, adeus!!!

Todos os trabalhos de pesquisa foram apresentados numa sessão  no Hianto de Almeida onde reunimos todas as turmas e para qual convidamos várias autoridades -  da Universidade e do município. O teatro lotou e eu  pedi a atenção de todos para algumas pesquisas realmente interessantes, mas, em especial, àquela sobre os marisqueiros.

Tratava-se de um público de formadores de opinião – professores, diretores de escola, secretários municipais...  A minha ilusão era que o resultado daquela pesquisa repercutisse e sensibilizasse as autoridades municipais. Ilusão, triste ilusão.

Escrevo este relato apenas para deixar claro que, em nenhum momento, NUNCA o poder público municipal se interessou em dar uma solução definitiva para a situação dos marisqueiros.

Esclareço também que em nenhum momento usou-se a violência  da forma criminosa como fizeram neste final de semana.



Escrito por Benito Barros às 05h18
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Segundo dizem, o prefeito Flávio Veras não fará nenhuma intervenção na praia de Camapum visando barrar o avanço do mar, porque se trata de um terreno sob a responsabilidade do governo federal. É verdade. A praia faz parte do Patrimônio da União. Isso não impede, entretanto, de o município atuar naquela área, desde que devidamente autorizado pelo SPU.

Ora, e aqui é um ORA bem grande, se ele se recusa a atuar em Camapum, por que, então, ordenou a demolição ilegal dos barracos dos marisqueiros e o arrombamento de prédios (teve uma oficina que foi arrombada por bajuladores com marreta e talhadeira, antes de se proceder à demolição) justamente num terreno de marinha???????  Até onde sei, aquele terreno depois da linha do trem é de responsabilidade, também, do SPU. A linha do trem é um dos extremos do perímetro urbano. Depois, é terreno de marinha. É só ver as formações de mangues que ali existem.

Conclusão: para os barraqueiros de Camapum, o desprezo. Para os marisqueiros, o fumo grosso. BACANA!!!!

....

Analisando friamente o ocorrido, eu creio (posso estar enganado!) que foi cometida uma série de ilegalidades.  Crimes, eu diria. E, o pior sob as vistas da polícia! O que diabos a polícia estava fazendo ali? A polícia estava a serviço de quem? Obedecia alguma ordem judicial? Aliás, o prefeito pode, sem autorização judicial, demolir o patrimônio de outrem?

E o Ministério Público - que estava ausente - não tomará nenhuma iniciativa para fazer valer a lei?



Escrito por Benito Barros às 05h17
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