Império da Casqueira


Da Ilha

 

Cabo China  desistiu, a meio caminho da delegacia, de levar preso “Na Bunda” (José Horácio de Góis) quando ouviu populares comentarem : “Eita, cabo China tá levando ‘Na Bunda!”

 

xxx

 

- Seu Chico, Neco tá vadiando franco em Areia Branca.

E, seu Chico Ciriaco, orgulhoso das peripécias do filho Neco:

- Puxou ao velho, puxou ao velho...

- Mas é com a bunda, seu Chico

- Puxou à puta que o pariu!

 

xxx

 

De Sebastião Medeiros, velho estivador que gostava de falar difícil, para sua filha:

- Me Disseram-me a mim que você me anda me pegando na saratoga do filho de Amaro.

 

xxx

 

Morreu Luís Olegário. Desconfiado da notícia, Gariba (Garibaldi) foi se certificar. A viúva disse-lhe a causa mortis: enfarto do miocárdio.

Ao retornar, Gariba  satisfez a curiosidade do  pessoal:

- A viúva disse que tinha sido um fato que ele comeu no mercado.

 



Escrito por Benito Barros às 06h00
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E a camboa dos Barcos

vai

e vem.

 

Eu e tu, camboa minha,

somos apenas camboas.

 

Vais para o mar?

Se fores ao mar te perdemos,

como me perco na imensidão

infrutífera do álcool.

 

Ao rio entregas teu futuro?

Qual futuro

o de uma mísera, medíocre

camboa?

 

Nós, míseros e medíocres,

somos apenas camboas.

 

Temos medo dos extremos.

Entre a maré

- a das fúrias das enchentes de antigamente

ou a das mornidões plácidas -

e o mar

- o que urra,

o que sussurra -

estamos, irremediavelmente, destinados

a ser tudo

o que não quisemos.

 

Temos medo de extremos,

mas deles nos fazemos,

deles vivemos

e nada temos a dar

tirante nossa mesmice,

nossa mediocridade

e os vermes que nos infestam.

 

Somos apenas camboas.



Escrito por Benito Barros às 05h34
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Tem gente que não se enxerga  - os Parlamentares da  Câmara dos  Comuns mandaram prender, com justa razão, o advogado Sérgio Wesley da Cunha. Este advogado, além da prisão, merecia uma surra, pois tentou, de forma leviana, diminuir perante a opinião pública a imagem dos  Probos da  Câmara dos  Comuns. Ele afirmou que no Prédio da Câmara dos Comuns  se aprendia rápido a malandragem. Merecia realmente ser preso. Esta afirmação do advogado tem a mesma massa de irresponsabilidade e é tão injuriosa quanto se afirmar que na Faculdade de Medicina da USP só se aprende fazer curativos.

Os Probos da Câmara dos Comuns têm  ensinado à nação tantas outra coisas!!!

 

E por falar em PCC... - Teste seu Q.I. (Quociente de Ingenuidade)

1 – Se você tivesse uma ambulância, você a confiaria a Marcola ou a um deputado?

2 – Lula disse a verdade quando afirmou:

a) que não sabia de nada

b) que havia mais de 300 picaretas no Congresso

3 – Tomando-o como o defensor de seus pares, pois assim ele se fez, Moroni

a) tartufo?

b) tergiversa?

c) tira?

d) torga?

e) tunga?

 



Escrito por Benito Barros às 05h51
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Fundeado no canal de fora

- pendor de carcaça.

 

Ânimos à garra.

 

Ergueram,

câncer e covardia,

muralhas na barra.

 

Da lama carcaça será

 

Para além,

o mar de filme

- membrana de plástico

a envolver o tenebroso

barulho

do inescrutável.

 

Fundeado na maré

envolto em lodo e cracas

- explodem impingens

no cérebro.

 

O apartamento carregado de lodo e cracas.

O ônibus do dia-a-dia empestado de lodo e cracas.

O patrão é de lodo e cracas.

A esposa se enloda, se encraca.

 

Muralhas na barra.

 

Tinhas no cérebro.

 

Não mais será nauta

- homem comum.



Escrito por Benito Barros às 04h26
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Esta foto que publicamos a seguir é uma grosseira montagem feita por agentes do imperialismo bolchevique e/ou ianque.  Isto é intriga. Isto nunca existiu no Império da Casqueira.

 

Neste Império, tudo é liberado....



Escrito por Benito Barros às 06h21
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POETAS MACAUENSES

Formigão – desafio numa festa com seu Pedro Bem-Feito (Pedro Batista de Andrade):

Seu Pedro:Se o mundo fosse uma rosa/ e a gente não morresse;/ se o mar fosse de cachaça,/eu queria ser um peixe.

Formigão:Eu tando mais seu Pedro,/ seu Pedro tando mais eu,/ eu vou no cu de seu Pedro,/ seu Pedro não vai no meu.

Seu Pedro: Cê né besta não, sujeito?!  vá no cu do diabo!

xxx

 

Formigão:

Minha mãe quando eu morrer/ me enterre numa gaveta,/ deixe minha mão de fora/ pra bater uma punheta/ e faça o teto do caixão/ do couro de uma buceta.

 



Escrito por Benito Barros às 05h56
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Um técnico consciente!



Escrito por Benito Barros às 05h25
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Serviçais do Palácio em ação.

Tudo para manter a pose do Imperador.



Escrito por Benito Barros às 05h21
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- O prefeito promete iniciar uma série de obras nos próximos dias. Já não  era sem tempo. A cidade se ressente (operários, comerciantes) da falta da circulação do dinheiro público.

Das “intervenções” aventadas, duas discordamos, caso sejam verdadeiras as informações que recebi.

Primeiro,  a duplicação do istmo. Não cremos que tenha havido um aumento significativo do  fluxo de veículos a ponto de tornar esta duplicação uma prioridade. Depois, não acreditamos ser conveniente reabrir as vielas laterais da praça da Conceição.

 

- Paraíba Gil tem se mostrado (como eu esperava) disposto a fazer um bom trabalho à frente da FMC. Ele tem tido uma série de bons propósitos  que, se postos em prática, serão de grande valia para o município. Uma dessas idéias é adquirir o sobrado de Dr. Gilberto para abrigar o Arquivo Municipal, a ser criado (outra boa idéia). À família de Dr. Gilberto, parece-me, no entanto, só interessa alugar. Uma pena. Mas, Chico pensa também em conseguir, em regime de comodato, o antigo prédio do INSS, na Benjamin Constant. Neste edifício ele pretende acomodar, além do Arquivo, uma série de outras coisas ligadas à cultura. Excelente.

 

- Serão criadas, ainda, a Escola de Música e a Editora Municipal. A primeira funcionará no prédio da Escola “Sonho Vivo”, que já pertence ao município. A Editora (impressos, audiovisuais, etc) terá um Conselho Editorial responsável pelo seu funcionamento.

 

- Está sendo incentivado o  ressurgimento dos grupos de danças populares, principalmente os autos que  animaram nossa infância: fandango e pastoril. Com relação ao Fandango, tenho uma sugestão acerca de quem deva ser o Comandante da Nau Catarineta: o meu poeta. Ele sabe toda a música, direitinho. È sacanagem minha. Mas a idéia de fazer renascer a Nau – uma história fantasticamente bela - é arretada!



Escrito por Benito Barros às 04h50
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- Confesso que fiquei triste quando Chico me contou essa história de ressuscitar a Nau Catarineta. Não pela idéia em si, mas por lembrar que já não existem muitos marítimos em nossa ilha. São poucos os marujos dispostos a enfrentar os mouros e salvar o barco. E o pior: de vez em quando aparece um gajeiro pretendendo se apoderar de nossa Nau, de nossas almas.

Meu poeta, o Imperador da Casqueira decidiu: você será o Comandante da Nau Catarineta.

 

- E, já que estamos dizendo dessa história de resgatar as coisas de nossa infância, vai aí um negócio que trata, entre outras coisas, da Nau Catarineta.

progresso

a minhas irmãs

 

Pilão de Mãe Gordinha

pila paçoca

- carne-seca, farinha,

água na boca.

 

Som do cavaco chinês,

tábua de pirulito,

canja de galo pedrês,

da seriema, o grito.



Escrito por Benito Barros às 04h46
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O carrinho de rolimã.

De lata, pelo cordão puxado.

O sorriso da irmã

- Oh, tão linda! -

Viva  o Cordão Encarnado!

Cordão Azul não ganha.

Alumia o farol de Macau

as terras de Espanha

- Oh, tão linda! -

ou areias de Portugal.

 

Cadeira na calçada,

conversa preguiçosa.

Vã luta travada

à Vésper curiosa.

 

O rastejar do tempo,

a lonjura dos lugares.

A corda da vida roendo,

a candidez dos falares.

 

Água fresca na quartinha.

Matar a sede na madrugada

ardente da camarinha

velando a pessoa amada.

 

Cabeça-de-frade ao relento

mata tosse, cura catarro.

Por ser cabeça-de-vento,

no presente cago e escarro.



Escrito por Benito Barros às 04h44
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Marinha

 

Tenho meus loucos de bolso.

Quando convém, empunho algum.

 

E há um,

criança de sobra,

sempre a trilhar interrogações.

Veste-se de dúvidas,

incertezas são seu alimento.

 

De inconstância tal,

têm-no por efêmero.

Tolos! Não o vêem

infinitizar-se

no átimo do sopro

que gera o vogar despremeditado

prenhe de ímpetos e súbitos

como

a paisagem de Barreiras

vista

de uma rede na varanda.



Escrito por Benito Barros às 05h59
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Bom início de semana a todos...



Escrito por Benito Barros às 07h07
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Chama-maré

encarnadada

de mangue

em chagas.

 

Chama-azul

goiamu.

 

Chama-amarela

desgarre

de folha.

Aquarela.

 

Rubro-negra

chama

demônio

Amy

chama -

 

regente

de marés,

ventos e

gentes.



Escrito por Benito Barros às 06h34
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Para não dizer que não falei de flores...

 



Escrito por Benito Barros às 07h48
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Faz-me,

um tenaz incômodo,

deitar aos pés da Coluna

da praça da Conceição.

 

A infância

- doença incurável -

recidiva.

 

Em decúbito,

logo empino

na escuridade azul,

com o fio vago

do olhar do menino,

o Cruzeiro do Sul.



Escrito por Benito Barros às 06h50
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- De onde menos se esperava, veio uma das melhores interpretações sobre o caso paulista: da perturbada massa guardada pelas ameaçadoras sobrancelhas do governador Lembo. O governador Cláudio Lembo Quase Lênin foi o único a tirar fino na raiz da questão. “A burguesia branca...” O governador Lembo está  realmente perturbado e a culpa não é  das sobrancelhas - que devem ter lá suas responsabilidades, mas não podem ser tomadas como únicas suspeitas do estado mental do seu portador. Se a polícia paulista desconfia ao menos que elas são suspeitas, coitadas... (Será que o governador tem porte de armas? Aquelas excrescências exigiriam.)

 

- Mas, voltando ao caso paulista: qual a sociedade estruturada à semelhança da nossa estaria imune a comoções das do tipo que aconteceram em São Paulo e em outros estados?(1) Quase todas as respostas, é certo, apontariam para sociedades rigidamente enlatadas em aparelhos estatais fortes e eficientes, e embaladas por uma, também, forte e eficiente rede de assistência social. São os seguros sociais que garantem a humilhante estrutura de desigualdade e exploração. O Estado que pune os refratários, e, acolhe e consola os apáticos para que não cismem de se tornarem insubmissos. Ou seja, a mão que apedreja é a mesma que afaga. O nosso caso se distancia dos outros estruturalmente semelhantes por uma questiúncula: a exacerbação da corrupção. A corrupção esférica, universalmente praticada e aceita. Desta forma, o Estado, cujo esqueleto e cujos músculos estão irremediavelmente contaminados pela corrupção, não consegue prover nem uma coisa nem outra. Nem se faz forte e eficiente frente aos desajustados, nem garante o devido amparo aos resignados que, à falta de alternativas, terminam por se amofinarem na informalidade – também eivada de corrupção, mas com um aspecto menos agressivo – ou por engrossar as fileiras dos desajustados.

É bom que se diga: por mais fortes e organizados que sejam esses Estados, por melhor que funcionem, apenas adiam a eclosão desses tumores. Um dia, esses bichos explodem lançando fora o pus esquecido sob a capa dos ditos seguros sociais, ou, devidamente trancafiado nas penitenciárias. A França é bem ali, lembram?

Existirá algum bicho doido o suficiente para dizer que, enquanto uma grande parte do capital acumulado não for distribuída uniforme (quase que dizia igualitária) e globalmente  na qualidade de trabalho, produtos, serviços e saberes, estas sociedades continuarão a engendrar os seus tumores prontos a eclodirem de tempos em tempos?

Porém, diria o bicho doido, há um intransponível porém: essa distribuição nunca acontecerá a níveis de imunização. Seria ferir de morte o cerne destas sociedades.

 

- Uma das maiores hipocrisias dos que costumam analisar o problema da segurança está na maneira como tratam o narcotráfico. Qual a diferença entre um narcotraficante e  um empresário qualquer do ramo de bebidas, por exemplo, que burla o fisco? Poderia ser qualquer outro ramo de negócios e a questão de burlar o fisco é apenas uma das ilegalidades amiúde praticadas pela maioria dos empresários. É desnecessário mencionar o rosário de imoralidades inerentes à própria existência da atividade empresarial.

Qual a diferença entre um assaltante e um chefe de governo que usa a força para garantir seus interesses?  Qual a diferença entre Fernandinho Beira-mar e Bush? Entre Marcola e o primeiro-ministro da Inglaterra? Se diferenças há, é meramente quantitativa.



Escrito por Benito Barros às 05h56
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Mas há uma diferença substancial com relação ao comportamento das vitimas, e, vítimas somos todos nós. Para o bandido menor, crescemos, para o maior, nos amesquinhamos. Para uns, não tememos clamar pelo patíbulo, para os outros, o covarde reclamo em surdina.

Qual a diferença entre os aviões ou falcões dos morros e os mensaleiros ou sanguessugas do Planalto? Uma coisa é certa: as urnas que os abrigarão serão diferentes. Para os primeiros o frio das urnas funerárias, para os últimos, o aconchego das urnas eletrônicas devidamente lubrificadas e amornecidas pela venalidade.

 

- O governador Cláudio Lembo Quase Lênin  vaticinou o óbvio: “a burguesia vai ter que botar a mão na bolsa”. Na mosca! De chilique em chilique a viparia dondoca paulistana teve que gastar mais  alguns míseros reais para adiar suas festas, comprar ou alugar mais carros blindados, contratar Maguilas empaletozados sobressalentes, ou, adquirir mais uma passagem para a segura Nova Iorque.O problema é que  eles, os de fino trato, quando consumados esses gastos e satisfeitas suas vaidades, e, depois que o estado tiver exibido sua truculência e concluído a esperada simulação de  assepsia social, eles, os de dinheiro fácil , entrincheirados nas boates de luxo, nas mansões, na primeira classe dos vôos internacionais, nos escritórios acarpetados de sangue dos trabalhadores, eles vão ter a perfeita consciência e o pleno sentimento de que tudo que aconteceu – inclusive os gastos imprevistos – foi uma coisa de somenos que sairá pela urina. Até porque o PCC vai demorar a fazer novamente o favor de induzir o governador Lembo a dar uma de Lênin.

 

- Uma das situações mais cretinas que assisti nesse caso de São Paulo foi a declaração de um agente do estado sobre o comportamento da imprensa. O tal agente reclamava da onda de boatos que a imprensa estava a espalhar e citou um exemplo. Tratava-se do anúncio da morte da mãe de um membro do PCC. A imprensa teria noticiado inicialmente que se tratava da mãe de Marcola. Depois noticiaram que fora a mãe de Macarrão. Por fim, o agente da segurança, orgulhoso por apontar aqueles equívocos da imprensa, noticiou que ele mesmo havia descoberto que tinha sido a mãe de Capetinha.

A maneira fria com que ele noticiou a fabulosa  descoberta deve ter feito muita gente, por momentos, desejar que tivesse sido a mãe dele.

 

- Outra gigantesca cretinice é essa história de celular. Quanta babaquice! A minha sugestão é que se responsabilizem as montadoras cada vez que um meliante fizer uso de um veículo para praticar suas ilegalidades ou que se exija das fábricas de automóveis a colocação em cada veículo de um dispositivo anti-PCC .

Mas, o mais grave é que ninguém discute os criminosos lucros das concessionárias. Ninguém protesta contra o uso criminoso que as redes de televisão, em conluio com as concessionárias, fazem dos celulares através desses “concursos” que pipocam nas telinhas.

 

 (1) Aliás, surpreendente é se considerar este final de semana como algo inusitado.



Escrito por Benito Barros às 05h55
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