Império da Casqueira


Róiteres - Asseclas a serviço do imperialismo internacional, bolchevique e/ou ianque, têm perpetrado uma série de atentados contra a moral e os bons costumes do paradisíaco Império da Casqueira.

Bena I, o Sabiamente Intemperante, rechaçou veementemente as tentativas de cooptação de seus súditos através de libelos subversivos distribuídos à socapa. (à socapa é foda!)

“Serão devidamente punidos com desterro os traidores  que teimam em disseminar, à sorrelfa (essa é que é foda mesmo!) os tais pérfidos panfletos subversivos. Trata-se de uma insidiosa campanha adrede (hoje tá de lascar!) urdida com o fito de confundir os leais súditos e desencaminhá-los por veredas obscuras a um fim sabidamente  nefasto: a sobriedade.” 

Bena I, o Precavido, ordenou ao corpo diplomático do Império que iniciasse tratativas com as vizinhas Repúblicas da Coréia e do Mata-Sete no sentido de unir esforços no combate às forças da comunidade abstêmica imperialista.

O imperador reuniu uma multidão de súditos na esquina Valdetário Carneiro para comunicar suas providências e conclamar todos à luta sem tréguas em favor da constitucional imoderação. Um dos momentos mais emocionantes da peroração imperial foi quando Bena I afirmou corajosaamente: “O álcool é nosso, não precisamos do gás da Bolívia. Nada de Bolívia, tudo da lascívia.”  Depois da brilhante oração proferida por Bena I, o Sobejamente Eloqüente, a massa delirantemente entoou um dos hinos oficias da Casqueira “Sem Bena e Baco não há salvação”. Ao final, todos bradavam as palavras de ordem “viva a sacanagem!” , “viva a putaria!”, “o álcool é nosso, o gás é da Bolívia. Viva o vinho e a lascívia!”

A Agência Róiteres, com a devida permissão do Ínclito Imperador, e num esforço de colaborar com a defesa dos bons costumes da sensatamente libertina comunidade imperial, publica um desses panfletos liberticidas:



Escrito por Benito Barros às 06h39
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O Imperador, visivelmente preocupado com os ataques das forças abstêmicas imperialistas, mas, preparado para a guerra.



Escrito por Benito Barros às 06h20
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A farsa se esvai. A papagaiada era só uma papagaiada.

A Viúva recomeçou o lamentável festival de contratações.  A estrambótica estória do nepotismo já era. É gente que nem presta.  Como era de se supor, os compromissos eleitoreiros estão sendo generosamente quitados, e, de quebra, garante-se comprometimentos eleitoreiros futuros.

Mas há quem ainda argumente, com o propósito de encobrir a venalidade, ser correto atacar o desemprego com empreguismo.

Triste ilha nossa!



Escrito por Benito Barros às 06h22
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Não é propósito deste blog provocar a discussão sobre temas nacionais, pois já há milhares de outros em melhores condições de fazê-lo. Mas a apatia dos brasileiros diante do atual quadro de esculhambação generalizada está beirando o absurdo. Parece que o povo perdeu a capacidade de se indignar. Todos sabem que não sou de ficar calado, por isso utilizo esse espaço com altivez e coragem para denunciar a atual situação e clamar em alta voz: Chega!  Queremos Nilmar na seleção.

 

O bichinho é tão bonitinho....

GFB - 97º

 



Escrito por Benito Barros às 06h50
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Atenção!!!! Está impagável a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo de hoje. Só uma palhinha:

Meu dia de periferia

O high society paulistano viveu seu dia de periferia na segunda-feira, 15. Toques de recolher espontâneos, bandidos por perto, pânico nas ruas. Foi um choque.
"Me deu um ataque de fúria", diz Attílio Baschera, dono de um antiquário e figura das mais queridas do circuito Jardins/Higienópolis/Morumbi. "São Paulo vai virar o quê, uma Bagdá?". Indignado, Attílio passou e-mail a 50 amigos conclamando todos para um protesto. "Se podemos fazer passeata gay na avenida Paulista, se podemos permitir também vandalismos depois de jogos de futebol, na mesma avenida, por que não podemos organizar uma grande passeata de protesto contra a corrupção e ineficiência de nossos dirigentes?!?!?!".
Até ontem, o resultado da iniciativa não tinha sido muito animador: ninguém havia aderido à possível passeata. Rosângela Lyra, que comanda a Dior no Brasil, por exemplo, repassou o e-mail a amigos e embarcou para Nova York.

 



Escrito por Benito Barros às 06h52
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No sábado, a polícia prendeu um cara que queria agredir o prefeito Veras. A continuar desse jeito, as autoridades deveriam, antes de saírem de casa, apelar para as sibilas de plantão. Ainda que, como diz Chapolin, só sirvam para aumentar o GFB. Prestando, pois, inestimável serviço de caridade pública, o Império coloca à disposição das autoridades - além de Irmã Iracema e Irma Vap - mais uma, aliás, dois.

 



Escrito por Benito Barros às 06h19
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Madrugada de Verão

(anti-sartriana)

 

A madrugada é uma lesma

a se arrastar pelo chão

áspero da alma.

 

Saio ao alpendre,

fumo.

Tremeluzem na escuridão as Parcas,

doídas saudades.

 

Reconheço tia Socorro

(que teria feito da mecha dos meus cabelos

presenteada com tanto orgulho?)

mas não vou chorar,

pois, além dela, espreitam-me,

travestidos em estrelas:

meu pai, Mãe Gordinha, Zé Ribamar e Dindinha

(esta levou Maria Dalva e o Estreito com ela!).

 

Inútil procuro

no céu

amores desmesurados

e fenecidos...

devem estar do outro lado,

tocaiando-me.

 

Pensando bem:

o outro lado

- o outro lado!

Este lado! -

somos nós.

 



Escrito por Benito Barros às 05h32
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Para a semana começar bem...

 

 



Escrito por Benito Barros às 05h58
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Vovô Mundinho

a Teresinha Maia Barros, minha mãe

 

Rê-a-rá

Ipsilone-rai

Mê-nê-mum

Dê-o-dó.

 

Vovô Mundinho era antigo.

Maia e Silva, o Raimundo

do século passado,

nasceu no segundo

dia do segundo

mês do ano segundo.

 

Tinha de se chamar Raimundo.

Era antigo.

 

Contara-me de sua fuga

de Lampião, em Mossoró...

no colo, tia Socorro,

que era apenas Maria.

Mais tarde,

vez em quando,

ela me socorria,

pois trazia, igual meu avô,

dos antigos, a bonomia.

 

Por aquele tempo

- tempos de Lampião -

era telegrafista da estação

e com seus olhos de profundo azul

fazia cumprir a profecia

de virar mar, o sertão.

 

Vovô Mundinho

fazia jus ao nome:

pouco falava

e sua vida,

restrita

ao lar, à igreja, ao trabalho

- todos bem próximos.



Escrito por Benito Barros às 10h52
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Parecia, em sua calma antiga,

ter corroído

o vigor presumido

na fuga empreendida.

 

Meu avô era antigo

como antigos eram

seus silêncios,

seus sorrisos.

 

Ajudava as missas na Igreja do Galo

e vivia quase

franciscanamente

(deveria ter se chamado Francisco,

o que também não seria uma solução,

mas como era vasto

o seu coração!)

 

Meu avô vivia quase.

Nunca revelou um ódio,

uma paixão sequer.



Escrito por Benito Barros às 10h51
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Para além do sorriso brando,

macio como o vôo planado

das garças,

era paciência.

Quase um Jó.

Vejo agora:

aquele mundinho

era plena tentação.

Despachante, o ofício

mais apropriado

- além do de meu avô -

para purgar pecados,

converter revolta em santidade

antes mesmo que aquela apareça!

Purgava um mundo inteiro

de pecados alheios

no purgatório burocrático

sempre quase em silêncio

sorrindo.

 

A última vez que o vi,

já bastante velho,

pouco denunciava

de seu antigo ofício.

Trazia apenas o ar solene

das igrejas antigas

pejas de cantos monocórdios

e

uns olhos cansados

a lembrarem

dois surrados tênis Conga.

 

Rê-a-rá

Ipsilone-rai

Mê-nê-mun

Dê-o-dó.



Escrito por Benito Barros às 10h50
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Menino Grande

 

Sentados na soleira da infância

- Verinho, Hominho e Inha.

 

Então, enluarados tecíamos

as vestes estampadas da fantasia.

 

Tangível, tão-só a maré.

Viçosa, oferecia-nos

os frutos do seu ventre

riscado por barcaças e bateiras.

De tão tangível e indefesa,

já nem existe mais.

 

O menino que não cresceu

lustra a soleira

sem saber se sobrevivem,

para além dela

- Verinho, Hominho e Inha.

 

...

 

“Minha maré não morreu de todo.

 

Por ela ainda bordejam

algumas mendigas

bateiras empachadas

daqueles homens rudes

com seus desenganos,

misérias e canseiras.

 

Na minha maré ainda vicejam

arestins e teimosos sobrevivem

os mirrados mangues margeantes.”



Escrito por Benito Barros às 06h49
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O bordejar das bateiras,

o florescer das cracas

e a sobrevida dos mangues

garantem ao menino feito

na lama,

outrora senhor das croas,

que a vida, por pior que seja,

como antes

ainda pode ser boa.

 

Frutos da lama:

o tolo menino

e a cruel, pois vã, esperança.

 

A maré amada

por esse ser sem tino

é só dolorosa lembrança.

 



Escrito por Benito Barros às 06h49
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