Império da Casqueira


Noite Feliz

 

Por quê,

a cada véspera de Natal,

em meio a tantas luzes e

empanturrado de comoventes promessas

de fraternidade,

surpreendo-me

a recitar

- letra por letra,

vírgula por vírgula

e a cada instante -

os Versos Íntimos de Augusto

dos Anjos?



Escrito por Benito Barros às 05h49
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Não estou nem aí pra esse negócio de Maternidade José Varela... Nunca precisei dela. Sou rico e, além do mais, nasci em Alexandria.



Escrito por Benito Barros às 05h42
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Escrito por Benito Barros às 05h19
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Príncipes da Casqueira VIII



Escrito por Benito Barros às 05h39
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Dizia o melancólico poeta:

“Não me comovem, nem me inspiram,

as noites sarapintadas de estrelas

ou ensandecidas de plenilúnio...

As noites, enfim, nada me dizem.

Basta-me não ser tolo

para ver estrelas e luares

na mais ensolarada manhã.”

 

Seria melancólico, o poeta?

Ou apenas tolo?

Ah, os poetas!

A melancolia,

em verdade,

é inata ao achador de poesia.

 

Mas há a hora em que é

achado pela poesia:

é quando algum anjo desgarrado

oferta-lhe a mão,

empresta-lhe robustas asas

e ele voa, voa, voa, e voa

o vôo breve e destemido

até as profunduras do contentamento.

É um viajar breve, muito breve,

visto que o diabo da razão,

invejosa que só, e descrente das coisas do céu,

cuida de derreter a cera.

 

Pobre Ícaro,

seu vôo agora, por superficial,

já não carece de asa:

só de pena.

 



Escrito por Benito Barros às 05h37
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Durante as festividades do 1º de maio, o prefeito concedeu uma entrevista a Maxwell Almeida, repórter da TV Litoral. Nessa entrevista, Flávio disse coisas interessantes que o transformaram, por momentos, num verdadeiro paladino da moralidade pública:

1º - O prefeito afirmou que, ainda este mês, conversaria com o “presidente da Maternidade” (sic) e que exigiria transparência no trato do dinheiro público por parte dos dirigentes daquela casa de saúde.

2º - Disse ainda o prefeito, “justificando” o não pagamento de horas extras aos coveiros, que “os coveiros recebiam R$ 10.000,00 (dez mil reais)”.

3º - Por fim, o sr. Flávio Vieira Veras revelou que “na prefeitura tinha uma quadrilha de ladrões!”

 

Algumas considerações acerca do pronunciamento de Sua Excelência:

1º-  O presidente da Instituição responsável pela gerência da Maternidade esteve recentemente na Câmara Municipal e, segundo nos informaram, expôs claramente aos vereadores a forma como a Maternidade utilizava o dinheiro público. Então?!...

Na minha modesta opinião, o prefeito, a despeito de sua corajosa cobrança de transparência na aplicação do dinheiro público por parte dos dirigentes da Maternidade, o prefeito quer, sim,  ser o coveiro da MJV.Por que, então, não se resolve logo o impasse, e se deixa de penalizar a população que não está mais podendo contar com os serviços da MJV?

2º - Quanto à informação dos salários sobrenaturais dos dois coveiros, o apresentador do programa da TV Litoral exibiu, logo após a entrevista, alguns contracheques com quantias diferentes da apresentada pelo prefeito. Um coveiro, segundo o contracheque correspondente ao mês de fevereiro, recebia cerca de R$ 560,00 (quinhentos e sessenta reais) somando-se o salário-base, adicional de insalubridade, horas extras, salário-família, etc.

De 560 para 10.000 há um uma diferença significativa. Melhor, fantasmagórica.

Mas, se em determinado momento aconteceu a extravagância denunciada, é obrigação de Sua Excelência torná-la pública com a devida comprovação documental. Caso contrário, seremos obrigados a achar que o prefeito está mentindo.

3º - O Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal de Macau, Flávio Vieira Veras, mostrou-se um verdadeiro cidadão ao revelar, com todas as letras, a existência de “uma quadrilha de ladrões” no governo anterior. Enquanto o prefeito não der nomes aos bois e colocar os devidos pingos nos is, TODOS os que participaram da gestão púbica municipal anterior são suspeitos. Por outro lado, o silêncio destes só aumenta nossa convicção de que seja verdadeira a gravíssima denúncia do Sr. Flávio.

Mas, afinal, ele recebeu a prefeitura das mãos de QUEM????

 



Escrito por Benito Barros às 06h46
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- O chafurdo, ontem, foi na ponte da ilha de Santana. A maré amanheceu vestida com um bonito manto barrento salpicado de baronesas. O povo brigava para passar pela ponte interditada. A tristeza: pouco a pouco, as vestes da maré foram se enfeando do prateado azedo de peixes mortos, decerto obra da magnanimidade dos empresários da agroindústria e da carcinicultura.

Por hoje está proibido pular da rampa de Seu Modesto.

O acastanhado das águas me deu uma vontade danada de tomar um ponche de tamarina...

 

- Ouvi no bar de Marcos:

“Fulano tem um engodo (tem um caso) com sicrana.”

 

- Dizem que Sílvio Santos estabeleceu-se em Macau: “Quem quer dinheiro?!” A venalidade vai-se tornando rotina, ou seria a gente trabalhadora sendo transfigurada em esmoler?!

 

- Peixe Podre estava internado no Pronto Socorro quando uma enfermeira comentou com a colega que atendia o companheiro Peixe:

“Morreu uma pessoa lá na praça das Mães.”

Peixe Podre arregalou os olhos:

“Será que foi eu?”

 

- Bela atitude de Patrícia ao convocar, num programa da TV Litoral, as mulheres a darem um grito em defesa da  Maternidade. Será dia 05, às 16:00 h. em frente à Maternidade.

 

- Ontem me emocionei com Seu Zé Camarão. Ele, com os olhos marejados, se dizia indignado com a situação da Maternidade. Lembrou que quase todas as suas filhas haviam nascido ali e que elas participarão da manifestação do dia 05.

Será difícil esquecer as lágrimas de Seu Zé Camarão.

 

- Quantos velhos trabalhadores, iguais a  Seu Zé, ainda terão que chorar?

 



Escrito por Benito Barros às 05h24
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à deriva

 

Ao longe,

lá longe,

duas barcaças

no aguardo  da maré cheia

que lhes permita o cais

para se encherem do melhor sal.

 

E vamos nós à noite

- leves barcaças.

Nem lua cheia nem cais.

Apenas o melhor sal

das obscenas

surpresas.

 



Escrito por Benito Barros às 03h38
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De Macau,

hei de lograr

o presente

contingente

e o passado

a olvidar.

 

De Macau,

sobrevivem em mim,

das agonizantes gamboas,

o lento e aflito escôo.

Das aves dos seus mangues,

o impulso transgressor

para o vôo.



Escrito por Benito Barros às 06h01
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