As tradições pascais.
Recebi, e reproduzo, registros fotográficos de manifestações populares, próprias deste momento de incontido júbilo.



Louvamos a iniciativa de se preservar tais manifestações, mas não poderia deixar de protestar pela escolha do modelo. Para mim, é injustificada. Não vejo, sinceramente, motivos para tal escolha. Por isso, reproduzo também um justíssimo grito de indignação vindo de praia bem distante das nossas.
De quê tanto esse povo reclama? De quê se lamenta o populacho? Por quê tanto chororô?
Alegria, meu povo. O momento é de júbilo.
De quê reclamam os que estão para nascer? Por que a Maternidade está prestes a fechar? Bobagem! Lembrai-vos que Cristo foi obrigado a nascer em Belém...
Vão, pois, silentes, nascer na Baixa do Meio!
Por que tanta reclamação?
De que reclamam os que estão para morrer? Por que os coveiros se negam a trabalhar além do expediente normal pois que se negam a pagar-lhes horas extras? Lembrai-vos dos que morrem à míngua nos campos de batalha. Eles não tiveram o luxo, que pretendeis, de uma cova rasa.
Ora, vão se enterrar na Baixa do Meio!
Por que tanta reclamação?
De que reclamam os idosos? Falta-lhes o leite? Já não vos sacieis do tanto leite que tomastes na infância?
Ora, vão tomar leite na Baixa do Meio.
Por que tanta reclamação?
Vosso lamento chega a Touros como uma irritante zoada de insetos enfeando a calma.
Não agüentamos mais ouvir tantas lamúrias.
Parai os queixumes, povo mal-agradecido!
Cessai o choro, carpideiras desarrazoadas!
Não perturbeis a calma esmeraldina do mar de Touros, nesse nascer esplendoroso do dia.
Nascituros, idosos, moribundos... Alegrai-vos! Rejubilai-vos! Enfim, é Páscoa.
Este é um momento para o perdão. É hora de esquecer.
Esquecer as mazelas, os sofrimentos, as dores... e, principalmente, as promessas de campanha.
Escrito por Benito Barros às 07h06
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