Império da Casqueira


Ouvido na esquina Valdetário Carneiro:

 

1 – Os vereadores da situação estão descontentes com os 10 (dez) empregos – cargos comissionados – oferecidos pelo prefeito. Querem mais.

Algum imbecil lembrará que esta era uma prática contumaz em nossa pobre ilha. Eu pergunto: e era certo????

 

2 – Alguns servidores municipais não estão gostando da idéia de se voltar ao regime de 2 expedientes proposto por Flávio. Pergunto: será mesmo necessário ou vantajoso para a municipalidade, levando-se em conta os gastos adicionais que isto acarretaria, acabar com o expediente corrido (seis horas) para todos os setores, indistintamente?



Escrito por Benito Barros às 09h09
[ ] [ envie esta mensagem ]


Raízes da Cultura Ocidental V

Epigrama III, 65

Marcial

 

O que exala

a maçã mordida

por uma menina fofa

a brisa que veio

dos campos de açafrão da Corícia

a vinha onde alvejam os primeiros racimos

a campina por onde recém-pastou

o  rebanho de ovelhas

a murta

o especiarista árabe

o âmbar friccionado

o incenso do  oriente ao fogo brando

a gleba chovida pela  chuva de verão

a grinalda há pouco retirada

de cabelos olorando a nardo

- esse é o perfume dos seus beijos,

Diadumeno, garoto cruel.

E se você me desse tudo isso,

Espontaneamente?

(trad. Décio Pignatari)

 



Escrito por Benito Barros às 07h55
[ ] [ envie esta mensagem ]


Poucas novidades na “nova” equipe de governo.

Diá guardou direitinho o canto na Saúde. Magali continua na Educação, Guimarães na Administração e Previdência, Fátima Jácome na Ação Social, e Zé Luís na Infra-estrutura. O secretário de Finanças é o mesmo, só não lembro o nome.

Ubiratan, o ex-vice de Haroldo, planejará.

Rodrigo (não me perguntem quem é) é novo Chefe de Gabinete.

Aluízio Viana é o secretário de Comunicações.

Paraíba é o Presidente da recém-criada Fundação Macauense de Cultura.

 

- Cowboy me disse que ainda não sabe o posto que assumirá na Fundação.

- Como foram criadas gerências (cópia mal feita da estrutura da prefeitura de Mossoró) e ofereceram uma a  Luís Antônio, ex-chefe de gabinete, segundo me disseram,  ele preferiu gerenciar o próprio comércio.

- E, para que não esqueçam, Flávio é o prefeito.



Escrito por Benito Barros às 05h52
[ ] [ envie esta mensagem ]


Réquiem para o Infinito

 

Há sem dúvida quem ame o infinito
                     Álvaro de Campos

...d’un Infini que j’aime et n’ai jamais connu?

            Hymne a la Beauté, Baudelaire

 

O Infinito morreu.

Quanto me foi custoso matá-lo!

Ele até que demais atiçou

minha chama de assassino.

 

Eu, medíocre e doente,

não pressenti a dor de tê-lo dentro em mim.

E desejava-o, louco, possuindo-me.

Quão terrível, lancinante penar

o de quem se deixa possuir por um

Infinito.

 

E desejava possuí-lo.

Imaginei tê-lo possuído.

Minha alma sobrevivia plena de miragens.

 

A princípio, e por toda uma quase vida,

persegui seus não-extremos,

e, na medida em que deles me aproximava,

mais se estendiam numa fuga

denunciadora de traição.



Escrito por Benito Barros às 05h49
[ ] [ envie esta mensagem ]


Meu Infinito era moreno e doce

e navegava solerte minha alma.

Fiz-lhe carinhos que imaginava incapaz de fazê-los.

Implorei, inútil, um troco aos meus carinhos,

à inusitada paixão.

 

Ele provou ser mínimo demais

ante meu amor.

 

Já não há mais Infinito.

 

Minha alma ora semelha o nanquim

aprisionado em tosco frasco

sem contar com pena que o redima.



Escrito por Benito Barros às 05h46
[ ] [ envie esta mensagem ]


Idéia de jerico. Estão falando em construir um conjunto habitacional no terreno do antigo hotel Salinas. Se isto for verdade, e o governo do estado realmente levar adiante esta idéia, estaremos diante de uma estupidez desmesurada. Aquela área, sempre defendi, deveria ser utilizada com equipamentos educacionais, principalmente, para a prática dos mais diversos esportes, até porque não existe sequer uma escola em Macau que disponha de local apropriado à prática desportiva. Fazer naquele terreno um favelão é não enxergar um palmo diante do nariz.. A saturação da antiga área urbana de Macau obriga-nos a imaginar soluções para além do Aterro. Parece-nos o caminho natural, até porque não podemos crescer no sentido vertical, dadas as peculiaridades do nosso solo. De que adianta espremer mais e mais a já sufocada cidade. Eu sonho com aquele hotel transformado em centro poliesportivo a ser utilizado pelo alunado e, aos finais de semana, pela comunidade em geral.

 

Coisas da leiSe se confirmar uma expectativa alicerçada no “bom-senso” jurídico, Macau será o primeiro município na história a ter experimentado um prefeito, por duas vezes, que nunca foi prefeito. Um prefeito não-prefeito.

Explico: o município de Macau teria sido governado, por duas vezes, por um prefeito que jamais foi prefeito, pois não foi oficialmente, legalmente candidato, e, portanto, não foi eleito, e, desse modo, nunca tomou posse, nem governou.

Explico melhor: se o TSE confirmar a ilegalidade da candidatura de Flávio, como estabelecia a Resolução do TRE que regia as eleições passadas (quem deu causa às novas eleições  não poderia se candidatar) e, se cassar novamente o registro da sua candidatura, então... ele não foi candidato, não foi eleito, não tomou posse, nem governou.

Agora, quem será responsabilizado pelos atos jurídico-administrativos promovidos pelo “prefeito” Flávio? Coisas da hermenêutica!



Escrito por Benito Barros às 05h58
[ ] [ envie esta mensagem ]


Vovô Mundinho

 

Rê-a-rá

Ipsilone-rai

Mê-nê-mum

Dê-o-dó.

 

Vovô Mundinho era antigo.

Maia e Silva, o Raimundo

do século passado,

nasceu no segundo

dia do segundo

mês do ano segundo.

 

Tinha de se chamar Raimundo.

Era antigo.

 

Contara-me de sua fuga

de Lampião, em Mossoró...

no colo, tia Socorro

(que era apenas Maria.

Mais tarde,

vez em quando,

ela me socorria,

pois trazia, igual meu avô,

dos antigos a bonomia.)



Escrito por Benito Barros às 05h57
[ ] [ envie esta mensagem ]


Por aquele tempo

- tempos de Lampião -

era telegrafista da estação

e com seus olhos de profundo azul

fazia cumprir a profecia

de virar mar, o sertão.

 

Vovô Mundinho

fazia jus ao nome:

pouco falava

e sua vida,

restrita

ao lar, à igreja, ao trabalho

- todos bem próximos.

 

Parecia, em sua calma antiga,

ter corroído

o vigor presumido

na fuga empreendida.

 

Meu avô era antigo

como antigos eram

seus silêncios,

seus sorrisos.

 

Ajudava as missas na Igreja do Galo

e vivia quase

franciscanamente

(deveria ter se chamado Francisco,

o que também não seria uma solução,

mas como era vasto

o seu coração!)



Escrito por Benito Barros às 05h56
[ ] [ envie esta mensagem ]


Meu avô vivia quase.

Nunca revelou um ódio,

uma paixão sequer.

 

Para além do sorriso brando,

macio como o vôo planado

das garças,

era paciência.

Quase um Jó.

Vejo agora:

aquele mundinho

era plena tentação.

 

Despachante, o ofício

mais apropriado

- além do de meu avô -

para purgar pecados,

converter revolta em santidade

antes mesmo que aquela apareça!

Purgava um mundo inteiro

de pecados alheios

no purgatório burocrático

sempre quase em silêncio

sorrindo.

 

A última vez que o vi,

já bastante velho,

pouco denunciava

de seu antigo ofício.

Trazia apenas o ar solene

das igrejas antigas

pejas de cantos monocórdios

e

uns olhos cansados

a lembrarem

dois surrados tênis Conga.

 

Rê-a-rá

Ipsilone-rai

Mê-nê-mun

Dê-o-dó.



Escrito por Benito Barros às 05h55
[ ] [ envie esta mensagem ]


Semana morna, aguada, insossa. A macular a monotonia apenas um acidente no Aterro que resultou  na morte do único ocupante do veículo. Dizem que o carro ficou preso ao poste de alta tensão, mais ou menos na metade deste.

Ah, teve também a oitiva de dois supostos envolvidos no desaparecimento dos cheques da prefeitura. Fizeram um carnaval danado diante da delegacia. Um gritava: vai sair por ali... e pegue correria. Não! É por ali... mais corre-corre. Isso começou à tarde e só terminou quando o último besta cansou, lá pras 11 da noite. Achei tudo isso uma  tremenda sacanagem, pois, ainda que as pessoas ouvidas fossem realmente culpadas, elas deveriam ser tratadas como gente  Há também a agravante - foi o que me disseram – de terem sido ouvidas as esposas dos dois, que por certo amargaram a vergonha de se esporem à multidão sequiosa. Punir os culpados e recuperar os valores surrupiados é uma obrigação, mas que se faça tudo isso com um mínimo de decência, sem transformar a coisa num circo. Essa história me lembra muito aquela palhaçada que faziam com os presos, em tempos não muito distantes, nas quartas-feiras de cinzas.

 

- O estado invejou Macau. Inventaram de copiar a patifaria do superfaturamento na contratação de bandas musicais.

 

- A semana foi bacana mesmo no Planalto Central.Depois da saída melancólica (e bote cólica nisso! principalmente nos banqueiros) de Palocci e do esconde-esconde de Okhamoto, agora dois ministros trocam desaforos em público. As injúrias mútuas tiveram seu desfecho cômico: “Quero ver ele dizer isso na frente de Dilma...” foi o corajoso desafio de Hélio Costa a Gilberto Gil, depois que este leu um cordel que continha uma rima, de mau gosto, com o sobrenome do ministro das Comunicações. A coisa está pra lá de feia! Tá mais feia que a dança angelical. Um galado me fez o seguinte comentário, também de péssimo gosto: “se na hora em que ela tivesse bailando, alguém gritasse “estátua!”, e ela obedecesse, ela não estaria ferindo o decoro parlamentar, mas, sim, a decoração do parlamento.”

 

- A TV Litoral - é, Macau tem uma emissora de tv – tem sido o assunto do momento. Até agora, não há muito do  que se reclamar. ATÉ AGORA!!!  Já foram entrevistadas pelo diretor da emissora algumas figuras meio díspares: Flávio, Haroldo e Eduardo. Mas o melhor programa tem sido comandado pelo companheiro Maxwell. Creio que se chama Requinte. Aprendi nele, só para dar um exemplo, como se prepara um maravilhoso, espetacular sanduíche de mortadela! É sacanagem minha. O programa está, realmente, sendo bem conduzido, sem falar no cenário – aliás, o único na TV Litoral que merece este nome. A equipe de repórteres, Tom do Cajueiro à frente, tem feito um bonito trabalho. Dada a inexperiência, é de se louvar o trabalho dessa turma de repórteres neófitos. Ih, rapaz, BASTA! está parecendo que estou me oferecendo pra ser entrevistado por Maxwell.  Eu já sei qual será o comentário dos galados, então, não precisam perder o precioso tempo de vocês.

A Verdadeira Esperança

 

Pego um livro. Folheio-o nervosamente.

No passar ligeiro das páginas, perdem sentido

os sinais, as letras, as palavras, as idéias.

Não tenho ânimo de ler o que seja!

Momentaneamente, tomei abuso da leitura.

Mas, aquele livro, algum dia, será lido.

 

Ah, se Deus

criasse abuso da leitura do meu livro

para sempre!!!

 

Esta é a única, real esperança.

Seu fundamento é o mesmo de toda religião:

Deus é nada enquanto não for minha expectativa

de inferno.



Escrito por Benito Barros às 06h54
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico
18/02/2007 a 24/02/2007
11/02/2007 a 17/02/2007
04/02/2007 a 10/02/2007
28/01/2007 a 03/02/2007
21/01/2007 a 27/01/2007
14/01/2007 a 20/01/2007
07/01/2007 a 13/01/2007
31/12/2006 a 06/01/2007
24/12/2006 a 30/12/2006
17/12/2006 a 23/12/2006
10/12/2006 a 16/12/2006
03/12/2006 a 09/12/2006
26/11/2006 a 02/12/2006
19/11/2006 a 25/11/2006
12/11/2006 a 18/11/2006
05/11/2006 a 11/11/2006
29/10/2006 a 04/11/2006
22/10/2006 a 28/10/2006
15/10/2006 a 21/10/2006
08/10/2006 a 14/10/2006
01/10/2006 a 07/10/2006
24/09/2006 a 30/09/2006
17/09/2006 a 23/09/2006
10/09/2006 a 16/09/2006
03/09/2006 a 09/09/2006
27/08/2006 a 02/09/2006
20/08/2006 a 26/08/2006
13/08/2006 a 19/08/2006
06/08/2006 a 12/08/2006
30/07/2006 a 05/08/2006
23/07/2006 a 29/07/2006
16/07/2006 a 22/07/2006
09/07/2006 a 15/07/2006
02/07/2006 a 08/07/2006
25/06/2006 a 01/07/2006
18/06/2006 a 24/06/2006
11/06/2006 a 17/06/2006
04/06/2006 a 10/06/2006
28/05/2006 a 03/06/2006
21/05/2006 a 27/05/2006
14/05/2006 a 20/05/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
30/04/2006 a 06/05/2006
23/04/2006 a 29/04/2006
16/04/2006 a 22/04/2006
09/04/2006 a 15/04/2006
02/04/2006 a 08/04/2006
26/03/2006 a 01/04/2006
19/03/2006 a 25/03/2006
12/03/2006 a 18/03/2006
05/03/2006 a 11/03/2006
26/02/2006 a 04/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
12/02/2006 a 18/02/2006
05/02/2006 a 11/02/2006
29/01/2006 a 04/02/2006
22/01/2006 a 28/01/2006
15/01/2006 a 21/01/2006
25/12/2005 a 31/12/2005




Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Galadus
 Terto
 Memórias
 subhadro
 Barreiras
 Getúlio Moura
 Barra da Ilha
 Radar Potiguar
 Memória Viva
 Uma coisa que não tem nome