Império da Casqueira


das vicissitudes do último anjo

 

Perguntas-me: “caro, qual o meu futuro,

se sempre fui bom, sempre fui honesto, se sempre fui puro?”

Quem sou para te responder?! Não sou dado a vaticínios.

Porém se queres ser salvo, errastes o caminho...

à soberba da santidade, a nobreza do assassínio.

 

Por que a aflição? Gozemos o pesadelo.

Não há vida para além dos limites do mal..

Olhas-me de soslaio? Desconfias desta verdade?

Pois bem, cria coragem e tenta. Tenta por alguns instantes

- sentirás o mais gozoso dos gozos permitido

tão-só àqueles de rara cepa.

Abandona por momentos teu lado subumano,

tua covardia de ente degenerado

e veste o sol da tua divindade.

Despertemos a pantera faminta que dormita em nossas almas

- ela clama por sangue.

Satisfaçamos-nos na crueldade.

Sejamos deuses.

Tu e eu governaremos a pequenez

humana.

O céu e o inferno encontrar-se-ão sob o nosso governo

e gozaremos na dor

infinita dessa união..

 

Sejamos deuses.

Sim!

Sejamos DEUSES!

....

 

A mim , todas as naus desgarradas,

perdidas e desencontradas;

todos os bêbados e loucos

a bailarem no olhar da paixão;

toda a paixão triturada

pelas garras do desdém;

o que tenha a maldade na alma,

o pão da alma do possesso;

a verdade negada à noite

e o sol embaçado à mentira;

(continua)



Escrito por Benito Barros às 18h47
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(continuação)

 

A mim, a glória do derrotado

e a vileza na vitória;

a morte prematura

e a sobrevida escusada;

a falta de tempo,

o tempo cariado;

o raio que parta

o bem despojado;

a essência do torpe

na língua atraiçoada.

 

A náusea oculta no ato sincero,

o fel nos espinhos da bênção;

o punhal encravado

nas unhas da solidão;

os doces lábios do abismo.

 

O ventre aprisionado

no centro do convívio;

todo o podre exibido

na palavra desnuda;

o amor e o mais

que em nojo se transmuda...

 

porquanto nunca me será concedida a felicidade

dos natimortos.

....

 

Não me acuses tristeza, tampouco morbidez

- apenas invejo o mal da frieza

e do abandono.

...

 

No espelho da minha cama, espreitam-me, junto a minha cabeça,

as mandíbulas escancaradas do tubarão.

 

A cascavel empresta-me a pele escamosa para coberta.

 

Brinco de insubstância.



Escrito por Benito Barros às 18h46
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Atenção, meus três (Dr. David nao conta, é leitor espor(r)ádico) fiéis leitores. Tem vida inteligente na net: http://galadus.zip.net/index.html

 



Escrito por Benito Barros às 21h19
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Estamos fodidos! Passou agora, no Jornal Nacional, uma reportagem sobre a amizade entre uma gata e um bem-te-vi. Ou seja, entre eu e eu mesmo.

Esses carai não tem do que falar, não?



Escrito por Benito Barros às 20h56
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Transcrevo ipsis litteris, por interessante, do Diário Oficial do Município, nº  182 de 26/01/2006, o Processo nº 082/2006, do Poder Executivo:

 

DESPACHO

“Chegam-me os autos do processo administrativo relativo à contratação por inexigibilidade de licitação dos Shows Musicais da Banda É O Tchan e da banda DONA FLOR, para a realização do período momesco de natureza artístico cultural, a realizar-se no unicípio de acau/RN, entre os dias 25 a 28 de fevereiro.”

“Analisando percucientemente as peças de que se compõe o processo administrativo pertinente, observei que foram atendidos os princípios de legalidade, da probidade administrativa e do interesse público, principalmente no que concerne o inciso III, do art. 25 da Lei nº 8.666/93”

“Reconheço a inexigibilidade de licitação para contratação dos Shows Musicais da Banda É O TCHAN e Banda DONA FLOR, no valor de R$ 208.421,00 (Duzentos e oito mil, quatrocentos e vinte e um reais), para realização do Carnaval, que acontecerá no Município de Macau/RN, em 25 a 28 de fevereiro de 2006.” Macau, 26 de janeiro de 2006.Jsoé Severiano Bezerra Filho - Prefeito

1 - O que diz o inciso III, do art. 25 da Lei nº 8.666/93: “para contratação de profissional de qualquer setor artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública

2 - Há uma menção na internet à Banda Dona Flor e seus três maridos (seria D. Flor a prefeitura de Macau? Os três maridos todos conhecem!). A banda contratada pela prefeitura será esta mesmo?  Se for, é de estranhar, pois a informação que conseguimos diz que “formado no ano passado, o grupo já gravou seu primeiro cd-demo mesclando novos sucessos e clássicos do pop rock” Contratar banda de pop rock para o carnaval?!!! Mas, enfim, e de qualquer maneira, fica difícil afirmar que essa tal de Dona Flor éconsagrada pela crítica especializada ou pela opinião pública”, Dirão que É O TCHAN atende a estes pré-requisitos, mas, é interessante!, não informam quantos shows fará esta banda. Segundo se comenta na cidade, É O TCHAN só fará UMA apresentação (o que já demais para meu estômago!) e que a famosíssima D. Flor tocará pra a prefeitura e para o bloco JARDIM durante TODO o carnaval (SOCOOOORRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!) É interessante notar que o capcioso Processo sempre se refere ao período integral do carnaval para as duas bandas.

3 –Não seria cinismo afirmar que “foram atendidos os princípios de legalidade, da probidade administrativa e do interesse público”????? Não seria, acaso, desfaçatez, considerar que atende ao interesse público TORRAR R$ 208.421,00 (Duzentos e oito mil, quatrocentos e vinte e um reais) para contratar essas duas bandas????

4- Mas, o que eu gostei mesmo foi do “percucientemente”, (palavra mais apropriada não poderia ser utilizada!). Recorro ao Houaiss :

1  que percute, que fere

2  que tem penetração, agudeza; perspicaz

lat. percutìens,entis, percutère 'bater com força'; ver -cutir; f.hist. sXIV percuciete, 1552 percuciente

Entenderam? É mole, ou querem mais?



Escrito por Benito Barros às 12h38
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dos milagres do sal

 

O coração era envolto por intransponível tapume

do mais sólido aço onde se lia: proibido entrar.

Sara feridas, o sal, e obra desastres.

E aquele aço não era tão aço assim...

 

“Tempo é ilusão.

Que é hoje, ontem, o amanhã? Criamos o tempo para nos justificar

e dar sentido às nossas misérias.

Mas tem sentido alguma coisa, além das que inventamos

para justificar o injustificável?

Qual o tempo de um chama-maré?

De uma pedra, de um pedregulho?

Qual o tempo duma fagulha? De um inseto?

O homem é em qual tempo? Ilusão.

O tempo é ilusão sem muros e teto!”

 

Corpos estranhos, tais, gravitavam naquele cérebro infenso às banalidades.

 

Sorte haver o sal para clarear idéias,

ressuscitar sentimentos e cegar.

Na lida de clarear e cegar, o sal mestreia.

 

 

 

É desumano o sal

em ofício de salitre

a branquear morena pele.

Empregado com tal arte, o sal povoa

de risíveis fantasias

mentes e corações os mais renitentes.

  

(continua)



Escrito por Benito Barros às 09h45
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(continuação)

 

Assim, uma simples pele morena,

uma pelinha morena salitrada

- arriscado aconchego para ávidos lábios  -

 

 

 

é o caminho mais seguro para derrubar as muralhas

mais de aço que houver.

 

 

Na metralha da muralha demolida,

nenhuma letra daquele antigo aviso.

Tudo será permitido

se de sal se perde o siso.

 

Quando alheado da cura do sal,

a esquisitice recidiva:

 

“A metafísica se alimenta unicamente das sobras

de tudo

e as sobras de tudo são tão irreais quanto

o tudo.”

 

Mentira!

 

Não há sorrisos e olhares esquecidos e sabores isentos

de metafísica.

 



Escrito por Benito Barros às 09h43
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O ENSINO PÚBLICO EM MACAU

Ligeiras notas de seu estado atual

 

O ensino público está bastante difundido em Macau. [...] no município 31 escolas, com uma freguesia aproximada de 1.500 alunos.

Dessas escolas, 2 são Grupos Escolares, 3 Reunidas, 16 Isoladas, 5 subvencionadas, 4 particulares não subvencionadas e 1 do Município, tencionando o prefeito ainda a criar 2 no próximo ano.

Na cidade se localizam 10 escolas, inclusive o Grupo Escolar “Duque de Caxias” e “Pereira Carneiro” e as Escolas Reunidas de Porto do Roçado; 3 em Independência, inclusive as Escolas Reunidas; uma em Estreito no tipo de Escolas Reunidas; seguindo-se 2 em Umburanas, 2 em Bamburral e 1 em Boa Vista, Alto do Rodrigues, Taboleiro Alto, Pedrinhas, Ilha de São Francisco, Águas Novas, Canafístula, Porto do Carão, Amargoso, Barreiras, Diogo Lopes, Mangue Seco e Guamaré.

No dia 7 de setembro último realizou-se uma concentração escolar em Macau, que constituiu um acontecimento notável, pelo número elevado de crianças de 16 escolas públicas do município, e mais o Colégio Nossa Senhora das Vitórias do Assú. O Grupo Escolar “Duque de Caxias”, sob a direção da professora Laura dos Santos, deu um contingente de 223 alunos. O número dos escolares que compareceram foi calculado em 1.000, tomando parte ainda as Escolas Reunidas de Independência, Porto do Roçado e Estreito, e isoladas de Bamburral, Alto do Rodrigues, Taboleiro Alto, Águas Novas, [...], ..., [...], Escola Operária da Colônia de Pescadores, [...] Grupo Pereira Carneiro e escola subvencionada “Santa Terezinha”.

O Grupo Escolar “Duque de Caxias” está sob a direção da professora Laura dos Santos, e das professoras Eulina Moura, Maria da Conceição Fagundes, Almira de Carvalho Monteiro e Diahyr Gomes de Souza. A matrícula em setembro era de 196 alunos, sendo 110 meninos e 186 meninas, com uma freqüência de 90 e 159, respectivamente.

As Escolas Reunidas de Porto de Roçado funcionam em edifício novo, sob a direção das professoras Joanna Sampaio Marinho e Selma Freire de Vasconcellos. Tem uma matrícula de 114 alunos.

As Escolas Reunidas de Independência também funciona em prédio recentemente construído e estão sob a direção das professoras Alba de Oliveira Miranda e Sabina Pinheiro. O prédio foi inaugurado em 12 de agosto de 1934. Tem uma matrícula de 80 alunos e uma média de freqüência de 64.

O Grupo Escolar Pereira Carneiro é também um amplo prédio, no centro da cidade, estando sob a direção da professora Clara Tetéo, um dos elementos mais antigos do magistério primário do Estado. Tem uma matrícula elevada, e observa-se nele uma boa disciplina.

A antiga escola Pereira Carneiro foi fundada em 1º de maio de 1923, sob os auspícios dos Condes Pereira Carneiro, para as crianças pobres da cidade.

 

Texto transcrito por Giovana Paiva de Oliveira, do Jornal A República, Edição Especial sobre o Município de Macau, de 12 de novembro de 1936, página 23 (edição com 26 páginas). Foi mantido o texto original, sendo atualizada a grafia das palavras.

Como as condições de arquivamento danificaram a edição pesquisada, existem palavras ou trechos de parágrafos ilegíveis, que serão representados por [...].

Data da pesquisa: entre abril e agosto de 2005.

 



Escrito por Benito Barros às 09h32
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Sobre um comentário (estava demorando!)

 

O blog recebeu comentário do Dr. David Batista Bezerra em que ele tenta repor a verdade diante de algumas inverdades que teriam sido disseminadas por meio deste espaço. Sinto-me alegre e agradeço, de início, a participação de David, até porque veio aumentar o restritíssimo número de colaboradores do blog

Depois de afirmar sua luta pela manutenção do patrimônio histórico municipal, de que sou testemunha, David inicia a defesa do governo do qual é integrante,  perguntando “lembra de quem ganhei um celular apostando na inverdade dessas notícias  que em nada ajudavam a administração municipal?” Repondo a verdade: o celular foi ganho em aposta que não envolvia nenhuma das ”inverdades” que foi publicada neste blog.

Depois, o signatário se refere ao passado humilde do atual prefeito como algo que incomodaria as elites - argumento semelhante ao amiúde utilizado pelos que pretendem esconder os equívocos do atual governo federal. Só posso contra-argumentar que , primeiro, não pertenço a nenhuma elite, e que a origem humilde não me incomoda, pelo contrário, mas acredito, sinceramente, que o passado de pobreza, de quem quer que seja, não é garantia de seriedade no trato da coisa pública.

A seguir, ele afirma que “dói em alguns “Doutores” o fato de que Zé Filho ampliou de 2 para 7 o número de Unidades do Programa de Saúde da Família, inclusive comprando novas ambulâncias e ampliando a compra de medicamentos da Farmácia Básica.” Não entendi a ironia do “Doutores”, até porque não era exatamente este pobre escriba quem exigia ser chamado desta forma. Muito pelo contrário. A informação sobre a compra de mais ambulâncias só vem corroborar uma nota deste blog de que a BR406 continua a ser nossa principal casa de saúde, apesar da municipalização do Antônio Ferraz, considerada por David como “ousadia” e que teria contrariado “interesses de alguns”. Qual a ousadia em municipalizar o Hospital? Quais os interesses contrariados? A dos empresários que se livraram de manter o Antônio Ferraz? Qual a lógica de municipalizar o A. F. quando o município já contava com o Hospital da COHAB, que não funciona como tal? É uma lógica perversa: o município conta com um hospital que não funciona e municipaliza outro que funcionava sem maiores problemas livrando as empresas do encargo de mantê-lo.

Escreve ainda o Dr. David sobre a construção e recuperação de casas populares. Pergunto: foram recursos únicos da municipalidade? Esqueceu-se de dizer que há um programa que é em convênio com o governo Federal, através da Caixa Econômica, e, atrvavés do qual, se atuou na comunidade do Canto do Papagaio.  

Depois, o Dr. afirma que o atual governo “não pode dar continuidade no Projeto da Ponte da Ilha de Santana, nem tampouco tocar a proposta de instalar uma Escola Profissionalizante Municipal, na antiga AABB...” O ilustre engenheiro não nos aponta s razões desta impossibilidade. Eu arrisco dizer que tenha sido a escassez de recursos, dada a arrecadação diminuta do ano passado.

A seguir, o notável engenheiro repõe a verdade ao se referir  à “inexistente contratação de 700 pessoas pelo governo Zé Filho. Cerca de 400 pessoas foram contratadas temporariamente...” Questiono: Zé Filho contratou 400, e Flávio havia contratado quantos? Ainda assim, o que justifica a contratação de tantos servidores? Dá-nos a impressão que antes o município não funcionava, o que não deve ser verdade. Esquece o Dr. de mencionar o aumento absurdo, desnecessário, de secretarias. E não menciona também os aluguéis inexplicáveis dos carros particulares.

A seguir David cai numa gritante contradição: “Zé Filho não demitiu ninguém por motivos políticos” , para, em seguida, dizer exatamente das exonerações promovidas.   Mas não menciona o fato singelo, aqui divulgado, da perseguição a um simples gari de Diogo Lopes, e, das transferências arbitrárias de vigilantes.

Com relação às demissões de familiares de Zé Antônio, realmente, o blog cometeu um equívoco. Afirmamos, para repor a verdade, que nenhum dos médicos citados foi demitido, como nos foi repassado. Mas fomos informados, por Haroldo Martins, que houve, sim, demissões: Dra. Goreth (odontóloga) Dra. Ana Alice (psicóloga), Dra. Márcia (assistente social) e Dra. Fátima (ginecologista).

Mas, o mais grave, em nenhum momento, o Dr. David se dignou, como assessor importante que é do atual prefeito, a colocar à disposição da população os números reais da arrecadação e de como esses recursos foram utilizados. Fica, portanto, no ar, a pergunta crucial: o que foi feito da milionária arrecadação do município no ano passado?

Se o Dr. nos der a honra de visitar novamente esse humilde espaço, honra maior nos dará se se dispuser a esclarecer ao povo o destino, por  exemplo, dos mais de R$22.000,000,00 arrecadados com royalties.

Ao terminar, David, descerra com todo o vigor sua verve irônica ao dizer que “as palavras chulas, lamentavelmente, não cabem para o prefeito. Respeito seu gosto.”

Eu só não entendi o “lamentavelmente”... por que quanto ao meu gosto, ele tem toda razão.

Termino aqui essas considerações, não sem antes pedir desculpas pelos equívocos, mas reafirmando as idéias principais anteriormente mencionadas, ao mesmo tempo em que reafirmo também minha maior admiração e bem-querer por Dr. David.



Escrito por Benito Barros às 14h59
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Duque - 84 anos

Recebo mensagem do meu poeta em que ele cita um verso célebre de François Villon ("mais où sont les neiges d'antan?"), uma das mais fantásticas manifestações de melancolia diante da crueldade do tempo. A “Balada das Damas dos Tempos Idos” evoca mulheres (exceto o belo Alcebíades) que marcaram época, para encerrar desiludido: “Príncipe, não gasteis semana/ e ano a indagar onde serão,/ que do refrão sempre dimana:/ mas as neves do outro ano onde estão?”

Meu poeta não ia deixar passar a oportunidade de lembrar sua veneração pelo sexo forte... 

Mas, meu querido poeta, há uma vecchia signora que amo muito e que vem sendo covardemente maltratada desde os trágicos tempos do regime autoritário. Uma centenária dama cujos filhos (boa parte deles), legítimos ou adotados, só pensam em explorá-la, vilipendiá-la, sufocá-la, arrasá-la. A nossa velha ilha, meu poeta, tem sofrido muito.

Há uma outra poesia de Villon que bem poderia ser lembrada agora diante do que fizeram com o Duque, do que estão tentando fazer com a Maternidade José Varela e, enfim, do que estão fazendo com nossa ilha: “Balada dos Senhores dos Tempos Idos” Lembremo-nos, meu poeta, que houve um tempo de homens sérios em que foram edificados o Duque e a Maternidade e o erário era tratado com o devido respeito. Não me acusem conservadorismo ou reacionarismo, mas que dá uma saudade danada de alguns procederes d´antanho, ah, isso dá!!!! Tempos em que os homens sabiam respeitar uma Dama. “Mais out est le preux Charlemaigne?” – Mas onde Carlos Magno, o denodado? Trad. de Péricles Eugênio da Silva Ramos.



Escrito por Benito Barros às 12h00
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Duque - 84 anos

 

MOMENTO NO RIO

 

                                               (A Gilberto Avelino e Graziani)

 

aqui não ouço mais os calafates

e os sons que encantavam

a terra prometida

 

não os escuto mais

não mais

 

as barcaças

à aragem sumiram do vento leste

 

restaram os velhos acordes da infância

o sonho que retorna

o momento imperecível da memória

 

e as águas.

 

                                               (Horácio Paiva)

 



Escrito por Benito Barros às 11h53
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Duque - 84 anos

Alberto Manguel, em seu Os livros e os dias, p. 129, nos informa que “a palavra nostalgia foi inventada em 22 de junho de 1688 por Johannes Hofer, um estudante de medicina alsaciano, mediantes a combinação da palavra nostos (“retorno”) com a palavra algos (“dor”) em sua tese de medicina, Dissertatio medica de nostalgia, para descrever a enfermidade dos soldados suíços mantidos longe de suas montanhas.”

Já o Houaiss diz algo um pouco diferente: nostalgia 'estado de tristeza causado pela distância do país natal'; o t. foi criado pelo médico suíço J.J. Harder, em 1678; ver nost(o)- e –algia.

Manguel ou Houaiss, pouco importa, eles não entendem nada disso. Nostalgia é, tão-só, um animalzinho baboso e piegas, portanto, parcial, criado pelos desterrados do Duque. Esse pessoal esconde, ou, prefere não lembrar, os outros bichinhos (pulgas, chatos, piolhos, carrapatos) que aquele animalzinho carrega no lombo. Esta é a essência do bairrismo, da topofilia: jogar para baixo do tapete da memória a miséria própria de todo lugar. E é bom que assim seja. Se os galhos e folhas não são lá essas coisas todas, salvemos, pelo menos, as raízes.

Borges é sábio: “No hay otros paraísos que los paraísos perdidos”. Por falar nisso, quem primeiro criou aquele animalejo a que nos referimos foi o companheiro Adão. O médico suíço ou francês - sei lá! - “inventou” uma palavra que Adão, um pouco antes, já conhecia muito bem.

Não sei bem porque estou a escrever esse troço, eu só sei que esse negócio aqui está aberto às contribuições de quem se disponha a escrever sobre a Macau d´antanho.

Antanho é foda! Tão foda quanto priziaca. Então, priziacas que queiram falar sobre o antanho desta ilha, estejam à vontade, sintam-se em casa.

Afinal, a fuleiragem do Império da Casqueira existe pra isso mesmo.



Escrito por Benito Barros às 10h44
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Convescote cerebral. (Camapum, 05/02/06)

 

Visão alentadora. Numa mesa, Túlio Lemos, Ana Santos, Aluízio Viana, Leão Neto.

Embrião, quiçá, de uma futura Academia de Ciências e Letras. Não será por falta de intelectuais que Macau perecerá.

Estragando a formidável paisagem intelectual, esses rapazes, ah!, esses rapazes de pele bronzeada a conter tsunamis de rijos, cobiçados músculos.

O caldo de cação do bar de Raimundo, em meio a uma briga com o namorado, me arremessa daquele mundo de contrastes.

Eu quero lá outra vida??!!!!!!!!

 

Da inadequação de se encolerizar quando se usa prótese dentária

 

Júnior Mero é um jogador de futebol de salão que qualquer técnico desejaria ter em seu time. Menos Edinho de Zé Capa. Motivo não lhe falta.

O caso se deu em Mossoró, num campeonato intercolegial. Edinho era o vibrante técnico do time de Macau. Num determinado momento, encolerizado com uma atitude do árbitro, Edinho começa temerariamente a esbravejar. Voa-lhe, incontinente, para gáudio da galera, a dentadura boca afora rumo ao piso lustroso do ginásio. Júnior Mero, inadvertido, pisa a humilhada perereca do Édson, que reage indignado:

- “Enquanto eu for vivo, você não joga em time em que eu estiver!”

Recentemente, aconteceu algo semelhante com o atual prefeito. Em meio a uma incontida ira, sua dentadura deslizou lépida por sobre o tampo de vidro do birô para descansar risonha no chão acarpetado do gabinete. Por sorte, não tinha nenhum Júnior Mero por perto.

Maktub: “SE TENDES DENTES POSTIÇOS, NÃO VOS ENCOLERIZEI, E VOS ADVERTIMOS: A MÃE DO PROTÉTICO SERÁ SEMPRE INOCENTE.”

 

Dos que compram e dos que se vendem (lições da campanha eleitoral)

 

Adoro os desconhecidos, os distantes que prescindem do meu bem-querer. Igual adoro os malfeitores que reivindicam meu asco. Se não fossem estes últimos, restar-me-ia somente o purulento visgo para os saudáveis engulhos.

Uma das espécies de malfeitores me é especialmente cara: a dos compradores almas. Se, ao comprarem a alma alheia, não admitissem implicitamente a possibilidade de venderem as próprias, não seriam tão asquerosos.

Minúsculos, desfigurados, repugnantes Mefistófeles.



Escrito por Benito Barros às 11h41
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O Duque - 84 anos

 

Chico De Paula, o Duque e Roberto Carlos

Benira Maia

 

Dizem muita coisa de Macau. Terra do sal, das barcaças, do sexo, da orgia, do sol forte e vento perene... Pra mim, Macau é música. Não, não a música vinda dos búzios grandes. Mas música mesmo - com letra e melodia, que a gente ouve diariamente nos aparelhos de som e tvs. Pois é: minha infância - época em que vivi em Macau - foi toda embalada por um som ambiente eterno. Como? O alto-falante de Chico de Paula irradiando notícias e canções, muitas canções. Não vale entrar em detalhes sobre as qualidades musicais de Chico de Paula, mas que é muito bom ter uma música pra cada

passo da sua vida, ah, isto é!

E minha relação com a Escola Estadual Duque de Caxias também tem a sua música. (Ah, soube que antes o Duque era chamado de Grupo Escolar.... Na minha época, porém, tinha um tom talvez mais nobre: Escola Estadual. Mas cá eu estou tergiversando)

Voltemos à canção. Nada de hinos - claro que lembro que cantávamos nas datas oficiais o Hino Nacional, diante da bandeira hasteada. Nada disso. A música é brasileira, mas daquelas nacionais arraigadas no coração de muitos.


"Tá chegando a hora de ir,
venho aqui me despedir e dizer
Que em qualquer lugar por onde
eu andar,
Vou lembrar de você.
Só me resta agora dizer adeus
e depois o meu caminho seguir.
O meu coração aqui vou deixar
não ligue se acaso eu chorar,
mas agora, adeus".


A música cantada por Roberto Carlos soou forte em mim. Ecoava não do alto-falante de Chico de Paula, porém de uma caixa de som instalada em algum lugar perto da quadra do Colégio do Padre. Não. Eu não estudava no Colégio do Padre. Estudava mesmo no Duque de Caxias. É que o Colégio do Padre abrigava, àquela época, salas - não recordo se todas - do Duque. O velho Grupo Escolar passava por reformas e havíamos sido deslocados.Era algum intervalo de aula e, quando saíra da sala, ouvira a música. Achei aquilo de poesia e melancolia tocantes. Na verdade, acho que tinha sido tirada da sala - por estar conversando demais - por Dona Mariazinha, minha professora da segunda série. Em meio ao vazio do pátio, a música embalou meus pensamentos. E deu uma certeza do quanto eu gostava daquilo ali. E fiquei feliz.

                                                                                                                                                  Recife - 02/2002



Escrito por Benito Barros às 11h34
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Querem matar a Maternidade

Estou com um baita receio de escrever sobre o futuro da Maternidade José Varela. São 60 anos de história, de uma bela história. Seis décadas trazendo à luz um sem-número de filhos legítimos e ilegítimos. Gostaria muito de falar sobre esses dois tipos de frutos nascidos na Maternidade, mas, pelo que tenho ouvido, serei obrigado a discorrer apenas sobre os últimos.



Escrito por Benito Barros às 11h01
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