ostra, simplesmente ostra
(Retrato, em rimas pobres, do poeta quando melancolia)
Nem da feroz e tão severa dor no peito aninhada
ou da temerária entrega da alma esfarrapada;
sequer da trégua na vã luta entre ser algo e nada
ou da resoluta lida com a angústia travada
se diga ser, do ser na ostra, raiz apostemada.
Porquanto na miséria e desamparo acostumado,
seria (a morte) mais amena senda a ser trilhada
que à ostra se entregar, ou nela transmudado.
Às estacas da embriaguez se agarra só e mudo,
no oceano sem praias do tédio, encarcerado.
Os outros, os sonhos de ontem, a vida... tudo
deixa à garra: o futuro, o presente e o passado.
A vivificar a infecunda solitude, há, contudo,
a abissal volúpia de viver, da luz, renegado.
Escrito por Benito Barros às 11h15
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