Império da Casqueira


Do meu poeta

CANTO AO AVÔ AFRICANO

 

Procuro-te entre os demais

e não te encontro

talvez porque não aceitaste o convite

e o sonho do Brasil te foi imposto.

 

Vejo a tua sombra

e semente –

já que o teu corpo foi corrompido pela guerra

-  que o orgulho impediu que abandonasses  

pelo açoite

e pela prisão.

 

Os demais estavam à mesa

e todos tinham nome e origem.

Tu, porém, sobreviveste

sem o pão e o vinho.

 

Trazem-me dos demais a linhagem

lenda ou fantasia

de seu tempo secular

e vou encontrá-los nas igrejas

cartórios ou bibliotecas.



Escrito por Benito Barros às 03h06
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Quanto a ti

a memória se perde

num vago e nostálgico pressentimento passado

que vai enfim morrer na praia

na selva ou no deserto.

 

Contra ti urdiram a morte histórica

relegando-te aos livros

de registros contábeis

às ignóbeis transações de compra e venda.

 

Mas ergue-te, avô, pois ainda vives

e tua reação foi maior que a derrota nas armas.

 

Dá repouso à tua sombra.

Vê que te ofereço

à luz do sol

um banquete com as lavouras que plantaste

e a que não faltarão

os alimentos sagrados que o teu gênio criou

os teus ricos orixás

as raízes de teus cantos, ritmos e danças.

 

E verás que à mesa estará presente

um povo

uma nação

construída com o teu sangue.

 

Não me renegues, avô,

não é minha pele que te chama

mas a noite de tua ausência.

 

                                              Horácio Paiva



Escrito por Benito Barros às 03h05
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Folia Momesca

 

PREFEITURA MUNICIPAL DE MACAU

 

Modalidade: TOMADA DE PREÇOS 001/2007

Objeto: Contratação de empresa especializada em locação de equipamentos de som e iluminação para utilização no Carnaval 2007, período de 16 a 20 de fevereiro de 2007, no Município de Macau-RN.

Chegam-me os autos do processo administrativo relativo a contratação de empresa especializada em locação de equipamentos de som e iluminação para o Carnaval de 2007 no Município de Macau-RN.

Da incursão procedida nos autos, observei que foi rigorosamente cumprido o rito legal estabelecido na Lei nº 8.666/93 em sua atual redação, inclusive, em casa externa do processo, respeitando-se o direito de impugnação e de recurso, conforme o caso, tendo sido este último exercido plenamente e trazido à minha consideração, tempestivamente, tudo explicitado nos presentes autos.

Após examinar todos os procedimentos administrativos contidos nos autos pertinentes ao certame licitatório em epígrafe, HOMOLOGO a proclamação de vencedora a empresa HELISOM SONORIZAÇÃO E ILUMINAÇÃO, única participante, que apresentou proposta no valor global de R$ 145.600,00 (cento e quarenta e cinco mil e seiscentos reais). Em conseqüência, autorizo a ADJUDICAÇÃO do objeto à referida empresa vencedora.

Publique-se e dê-se ciência na forma regulamentar. Em seguida, encaminhe-se o processo à Secretaria responsável para as providências de estilo.

 

Macau (RN), 13 de fevereiro de 2007

 

Flávio Vieira Veras

PREFEITO



Escrito por Benito Barros às 11h57
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Nós, O Imperador de Todas as Plagas Casqueirenses, convocamos todos os arautos da Agência Imperial de Informação (AII dentro!) para proclamarem aos quatro cantos do universo o transcurso do aniversário natalício de nobre edil da mundana ilha vizinha ao Nosso Casto Império.

Para este fim específico, cancelamos, temporariamente, as merecidas férias dos fiéis vassalos escribas.

Depois de proclamada a auspiciosa nova, poderão retornar à esbórnia momesca que toma conta da citada ilha, para só retomarem seus postos e afazeres depois da ingrata quarta-feira de cinzas.

Sendo assim, bom carnaval a todos!

Feliz orgia!

 

Bena I

 



Escrito por Benito Barros às 05h58
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O amor é o bicho!

 

Um velho companheiro esteve no bar Império da Casqueira, saudoso e lacrimoso, rememorando, entre outros, o caso que manteve por anos a fio com sua querida Asa Branca, no tempo de juventude sertaneja.

Asa Branca era jovem, bela, atenciosa, graciosa, formosa, cheirosa, dengosa, gozosa e outros osas, como são todas as damas aos olhos complacentes do amado.

Foi uma paixão profunda. Um caso de amor, desses a serem registrados para a posteridade.

Um amor digno da grande literatura.

Numa das passagens mais sublimes da narrativa, ele nos contou das vezes em que cavalgava as ancas largas da  robusta companheira e implorava entre lágrimas de gozo:

- Me dê um cheiro, Asa Branca.

Asa Branca virava o esguio pescoço e oferecia-lhe os lábios carnudos.

Qualquer um se emocionaria com o exagerado romantismo da cena!

Contive os meus soluços e indaguei sem malícia:

- Mas companheiro não havia mulheres disponíveis?

- Não. Só de ano em ano é que chegava um caminhão carregado de raparigas.

E concluiu com a voz embargada pela emoção:

- Asa Branca foi minha grande paixão. Nunca me esquecerei daquela jumentinha!

xxxxx

Lembro outra, vivida por outro companheiro.

Em dia aziago, ao pingo do meio-dia, ele resolveu cumprir os naturais desígnios de macho copulador em uma cavidade em meio à caatinga. Um lugar seguro, cercado de altos rochedos e  distante da casa do proprietário daquela gleba e da sua parceira de ocasião.

Cumprida a função com o generoso concurso da companheira, satisfeito preparava-se para retornar às tarefas rotineiras da lavoura, quando ouviu uma voz de cima de um dos rochedos. Era o dono da fazenda e da jumenta que gritava:

- Ei, deixe ao menos dinheiro do milho da burra.

xxxx

Há ainda quem se escandalize com os manjados artifícios utilizados pelos moradores do interior para sanar a carência de mulheres. Mas, é a vida! Casa Grande & Senzala (todo brasileiro deveria ler) por exemplo, tem várias destas belas, emocionantes e edificantes histórias.



Escrito por Benito Barros às 11h14
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Domingo é dia de

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 11h13
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Para exercitar a imaginação

 

Para mim, "realismo fantástico" é simplesmente... uma pulga enorme atrás da orelha. Partindo do princípio muito bem colocado pelo físico James Jeans - "tudo é possível, embora algumas coisas sejam mais prováveis" Yuri Vieira

 

Para quem gosta de realismo fantástico, o endereço a seguir é um prato cheio https://www11.bb.com.br/site/daf/index.jsp

Só um aperitivo: Janeiro de 2007.

FPM – 668.649,08

FUNDEF – 299.295,40

ICS-ICMS – 1.085.146,81

ROYALTIES – 1.496.200,77

 

“Lo fantástico es una manifestación de las leyes naturales, un efecto del contacto con la realidad cuando ésta se percibe directamente y no filtrado por el sueño intelectual, por los hábitos, por los prejuicios, por los conformismos. La ciencia moderna nos enseña que, detrás de lo simple y visible, está lo invisible y complicado"

“Género fantástico, género literario que describe hechos sorpresivos o imprevisibles en la vida cotidiana y que se interesa, en consecuencia, por trascender los límites y obtener una percepción más aguda y menos superficial de la realidad inmediata. La fantasía puede ser un recurso placentero, que estimula el gusto por el vuelo imaginativo, o un medio tendente a exacerbar emociones como el miedo, la perplejidad, el terror, la incertidumbre.”

MIGUEL ANGEL BENDEZÚ TENÓRIO in Exégesis del Realismo Fantástico



Escrito por Benito Barros às 11h09
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O amor é lindo

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 06h39
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Caicó

(purgatório)

 

O meloso lirismo germina

no continente da covardia e da impotência...

e esgota-se no vaso

sanitário

...

 

A noite insone,

o álcool da véspera,

a mente a se queimar morosa

qual cigarro esquecido no cinzeiro

no silêncio sem fim da madrugada,

bastam-me.

E, se algo me faltasse,

guardo a certeza

da  tenuidade da fronteira

(em que nos topamos)

entre o paraíso e o inferno.



Escrito por Benito Barros às 06h37
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Arte para o povo

George Quaintance

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Benito Barros às 06h32
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FALTA DE ESPAÇO


Ao olhar no espelho
finalmente vi-me o que sou:
  feio (e chato?)
Então resolvi mudar.
  ...mas prá onde?

 

J. Cabral



Escrito por Benito Barros às 07h48
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Texto enviado por  Cabral

 

DOS TEMPOS

Estavam reunidos, em assembléia, os mercadores, artesãos e bufões da Ilha. Tentavam resolver um pequeno problema: receber do Burgomestre (que não dava a mínima) o que lhes era devido pelos serviços prestados, pelos fornecimentos  e (principalmente) pelos sacos puxados, havendo vários meses.
Não recebiam do Tal sequer uma promessa, com a qual pudessem negociar uma outra com seus credores.
Depois de muito confabularem (!) chegaram a seguinte conclusão:
"MALOS SON LOS TIEMPOS"

Há,há,há,há...ops!? (Pô, rir, não. Rir é maldade).



Escrito por Benito Barros às 07h56
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Um divã, urgente!

 

Estive, nestes dias em que a preguiça colocou-me no colo do desânimo, do desalento, fazendo umas contas estapafúrdias: seria o problema da ilha uma questão meramente política? Caberia nos limites insalubres do código eleitoral ou penal? Seríamos presas unicamente do atávico pendor para a corrupção e à subserviência aos poderosos do dia? Cada elemento, cada pessoa, teria previamente estabelecido seu preço sem direito a troco? Será verdade que não há possibilidades dos que se venderam, dos que se iludiram,  de, num lampejo de hombridade, se revoltarem contra a humilhação que se lhes impõem?

Matutei muito. Percorri os estrambóticos caminhos que o vinho – o maldito álcool – oferecia à imaginação. Confesso: não alcancei  porto seguro. Mas não foi uma caminhada infrutífera. Nos passos miúdos das informações esparsas que ia colhendo, uma insensatez ganhou sustança. Uma idéia maluca, sem nenhuma consistência de racionalidade, aboletou-se em mim.

E ela pretende atingir em cheio a raiz do problema fundamental: por que estão humilhando tanto o povo da ilha.

A resposta é simples: a psicanálise seria demais suficiente para explicar as desditas insulares.

Eis, pois, o remédio para o problema principal: Freud, Freud, Freud.

Sinceramente - eu disse sinceramente! – alguém seria capaz de humilhar tantas pessoas sem que tivesse sido cruelmente humilhado em tempos remotos?

Há, no entanto, uma miraculosa saída: um divã.

 

xxx

 

Um fiel súdito enviou um complemento (alentador) ao texto em que Aldo de Chico Seixas me define como a nova versão de Chico dos Esprito.

O Pai de Santo cantava o “ponto”: “Eu vou virar bicho do mato pra comer vocês. tudim”.

Os fiéis respondiam: “coma eu, paim; coma eu, paim”

Eu tenho a vaga impressão que esse refrão tem a ver com um senador das terras sulistas - refúgio seguro do companheiro Toinho.

Mas, como estamos no norte.... assumo a responsabilidade!

 

xxxx

 

E assim caminha a humanidade...



Escrito por Benito Barros às 07h55
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Do Bar de Mundão e da esquina Valdetário Carneiro

 

Eu conheci uma menina que se chamava Juliana... Ela chamava banana de nanana...

Ô, muié da cara feia! ô, muié da cara feia...

Ela é muito pidona, ela é muito sabidona...

Quantos são? São seis! Cavaleiros da tábua redonda...

O carnaval deste ano já tem um nome: BABAU DO PANDEIRO . VIVA BABAU!

 

xxx

 

Um companheiro do Porto da Pescaria contou-me o caso que tivera com uma ninfomaníaca masoquista.  Dada a insaciabilidade da dita, era necessário – de vez em quando - aplicar-lhe um corretivo sossegador. Depois de vários bofetes, entre choros e gozos, ela revelava reclamante a prodigiosa lista de ex:

- Nenhum dos meus outros machos nunca me fizeram isso. Nem Macaxeira, nem Búzio Oco, nem  Lobisomem.

- Então eu sou o Vampiro – justificava o cruel companheiro.

 

xxx

 

Outros apelidos da gente do Porto: Sarapica, Saco de Feitiço, Seu Rola.

 

xxx

 

Outro companheiro, no afã de conseguir uns trocados, decidiu fornecer o dito cujo. Quando a coisa engrossou e ele só avistava estrelas em plena luz do dia, gritou aperreado:

- Tira! Tira! Que bateu no osso!

Essa frase desesperada (bateu no osso!) tem sido amiúde utilizada para as situações mais diversas, significando que a coisa não está boa. Um belo achado lingüístico.

 

xxx



Escrito por Benito Barros às 06h25
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Palavras e expressões recém-ouvidas.

- Bexiga taboca

- Sei me bulir (dou meu jeito)

- Despimbado (triste)

 

Seu Chiquinho dos Posseiros, referindo-se a um otário que quer ser o cancão de fogo, usou uma palavra que há muito não escutava:

- Precipitante (temerário)

 

xxx

 

Aldo de Chico Seixas me encontra, no Bar Império da Casqueira, algaraviando na alva página do bloco de rascunhos, e comenta:

- Chico dos Espíritos (Esprito) só escrevia (psicografava) bêbado. Depois tinha que tomar outro porre para conseguir ler o que tinha escrito.

Para  concluir ferino:

- Você é a nova versão de Chico dos Esprito.

 

xxx

Domingo

 

Camapum, ontem. Bar de Raimundo. Presenças: Zé Augusto e Vanete (Há quanto tempo! Quantas saudades!) Pádua e Ana Luíza , Haroldo, o Pessoal do Clickteen e Maxwel  (http://maxwelalmeida.zip.net/)

Alguém comentou:

- Esta semana amanheceu com cara de fim de mês, de fim de feira, de fim de era...



Escrito por Benito Barros às 06h24
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